MC DUELLO 19 canta a rotina das favelas do dendê

Rede Social
MC DUELLO 19 canta as dificuldades da periferia de Salvador
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Wanessa B Santos · Salvador, BA
26/9/2020 · 0 · 0
 

Vocês estão ligados que ‘duelo’ é, sem neurose nenhuma, uma batalha? A origem da palavra vem duellum, forma arcaixa de bellum, ou seja, “treta fio”, aquela situação embrasada que desde os tempos antigos até, mais ou menos, o século XIX, onde os manos de alta posição (patrões) resolviam as desavenças na ponta da faca ou na bala, geralmente, o arengue vinham de disputas de patrimônio, as minas, quando chamava os caras de covarde, insultos à honra dos fiel, das famílias, e as trapaças nos jogos de cartas ou de dados.
Porém, o Duello que lhes apresento agora, não é patrão, é um irmão da paz. A única afronta desse músico que respeita os outros ritmos da Bahia, é ao cenário musical baiano que o desafia, haja vista, que em terra de Axé Music e pagode local, se destacar em outro ritmo, assim como, Pitty, Diamba e os monstros sagrados da MPB é difícil pacas. No entanto, como ele mesmo diz: “Quem nasce na favela é provocado todos os dias a sobreviver”, salientou.
MC DUELLO 19, é uma correria ambulante contra um sistema que divide as pessoas entre pobres e ricos, cidade alta e baixa, preto e branco, onde, “o menos favorecido já acorda com o pé do policial na porta, o grito de “mão na cabeça vagabundo”, a arma apontada para a tranquilidade de uma mãe que chora. E nesse esquema para o pobre e preto, que mora no bairro mais negro da Roma Negra, o estudo e talvez a sorte sejam a única forma de vencer as tramas da vida dificultada”, narrou.
Encontrar MC Duello 19 é fácil, desça a rua principal da Liberdade (Salvador-Bahia) e chegue na rua do Céu, pergunte assim: Onde é o bar de Marcelo? Pronto vocês estarão face a face com um louco, muito louco consciente, que vai lhe convidar para sentar e vai falar para caramba, contar histórias de ontem e de hoje e lhes contar sobre seu projeto social para tirar os meninos de rua da marginalidade.
Apesar da generosidade e da caridade que tentam romper com as barreiras impostas pelas adversidades sociais, o Mc é um automotor de voz potente, vai lhe dizer que as inspirações para composições fortes que falam do cotidiano das favelas soteropolitanas vem de suas vivências – “ eu falo do que vivo, eu comecei a cantar Rap, por causa do meu irmão Vilson, aqui na rua toca pagode, Funk, axé, e eu tô de boa com isso, mas um dia Vilson estava escutando Racionais, eu escutei aquilo e aquilo era a vida da correria da favela, era o que eu via acontecer”, falou a ideia cheque.
Hoje, o cantor de rap, diz que suas principais influências continuam sendo RZO e claro os Racionais mas que, “ esses são os caras que me influenciaram, mas o RAP raiz aquele que canta a voz do gueto, esse não podemos esquecer. A família do Rap sabe onde está a poeira embaixo do tapete, que a televisão não mostra, pois, as cenas são fortes demais. A batalha do Rap é uma troca de ideias, pois somos unidos por um ideal de amanhã com mais MC’S e menos “aviões”, menos prisões e mais graduações, tá ligada? ”, deu a ideia.
Diante de tanto protesto, precisei colocar um colete à prova de realidade. “ Quando eu escrevi a favela venceu, eu narrava a história de uma gente que quer vencer na vida ali na humildade. Na busca por um movimento onde as pessoas, que morem na Pituba e na Liberdade, ou seja, no asfalto ou na favela tenham as mesmas oportunidades. Só tem Matheus, que é aquele menino pobre visado pelos camburões, quando a favela vence o sistema”, me fez sacar o MC.
No início dessa matéria, eu falei do significado de duelo, mas o “Duello” do MC 19, vem de uma bebida forte do Ceará “ demonstra o cabra arretado nordestino, pois eu tenho orgulho de ser do nordeste, de ser o cabra macho mas sem ser machista, homofóbico, misógino e nem essas palavras novas e difíceis que os intelectuais inventam para falar da insanidade do preconceito, que é uma parada do mal, e que quem é da favela já sentiu num olhar simplesmente, cantor de rap também fia, os manos pensam que somos apologistas da droga, mas é para lá que vai”, contou qual da parada.
Como cantou Cazuza “ Canibais de nós mesmos Antes que a terra nos coma, cem gramas, sem dramas Por que quê a gente é assim? Mais uma dose, É Claro?
Mais uma dose de Duello de 19, segue o fluxo, na batida dos menino gigante que canta o Rap das favelas do dendê.

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