Mudar a mídia, trocar o canal

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Vinícius Barros · Ribeirão Preto, SP
12/7/2013 · 0 · 0
 

A Rede Globo é uma potência por dois motivos em especial: Primeiro por ser uma mega corporação empresarial historicamente aliada a governos (a começar pela ditadura) e outras grandes empresas, o que lhe rende privilégios políticos e altíssimos lucros em publicidade. Segundo por ser o maior veículo de mídia num país despolitizado, onde se lê pouco e se consome muita cultura de massa, principalmente futebol e novelas.

A partir dessa hegemonia conquistada através do entretenimento, a Globo consegue implantar o seu viés jornalístico na vida do brasileiro, sua arma mais nefasta de manipulação política e de desmobilização social. Uma realidade conveniente ao sistema econômico e arrasadora às culturas regionais e populares.

Quando o cidadão terceiriza a sua opinião para meios de informação de massa ele está abdicando de uma construção autônoma do real e aderindo ao comportamento padrão (daí o termo alienação). A docilidade política do brasileiro pode ser compreendida a partir dessa situação, bem como o nítido triunfo do modelo de sociedade do consumo no país.

Por outro lado, as mobilizações populares atuais são fruto de uma busca por informações para além da grande mídia (Band, SBT e Record podem ser incluídas aqui, pois reproduzem, em outras escalas, o mesmo modelo informacional conservador e submetido ao mercado). Hoje é possível encontrar muitas opções alternativas de informação, principalmente em publicações impressas independentes, blogs e redes sociais na internet.

Por isso se faz necessário lutar pela regulação da mídia no país, algo que difere de censura. A censura, na realidade, já é realizada dentro dos canais, vetando a liberdade investigativa dos jornalistas, por exemplo. Ela, portanto, já existe como política interna desses veículos minando a liberdade de imprensa.

Regulação significa estabelecer um controle social para que canais de mídia não tenham seus poderes exacerbados, criando uma hegemonia massacrante às especificidades culturais e capacidades intelectuais das pessoas. Algo que se confronta com o próprio processo formativo da sociedade, ou seja, esse poder desregulado interfere de forma negativa na educação.
Uma das medidas que deve ser tomada, para além de uma regulação, é o apoio a outras fontes de informação. Isso significa viabilizar rádios comunitárias, ampliar o acesso à banda larga, fomentar publicações de livros e revistas populares, apoiar produções audiovisuais independentes, entre outras ações que gerem protagonismo popular. Há estudos acadêmicos muito avançados sobre isso, porém pouco aplicados por governos.

O que não se pode mais aceitar no país é o monopólio da informação por parte dos grandes canais, sempre simbolizados pela Rede Globo, por ser a maior e mais nociva. Faz-se necessário uma luta conjunta entre população organizada e governos progressistas interessados em acabar com tais privilégios. Algo que pode promover uma guinada no país, interferindo inclusive na questão da desigualdade social.

Resta saber se os projetos de controle social da mídia sairão do papel, ou se eles continuarão engavetados pela ação de forças maiores. Sabemos que lutar contra esse inimigo é o mesmo que lutar contra o coração do sistema econômico, que tem nesses canais a sua principal fonte de disseminação de valores de consumo. É também lutar contra uma perspectiva de construção nacional padronizadora, em detrimento de características regionais tão ricas no Brasil.

É uma luta, portanto, que diz respeito à sociedade em geral, por isso deve ser assumida e levada a cabo o quanto antes.

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