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Noite douradense: barzinho e diversão

O Alquimia Bar é o único que sobrevive até hoje. Na foto: sonzera do Trajeto 2
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danielledemedeiros · Florianópolis, SC
6/9/2007 · 25 · 0
 

Desde o tempo das serestas, do carnaval no Clube Social até as modernas casas noturnas de hoje, os jovens douradenses prestigiam a vida noturna. Enquanto muitos dormem, outros iniciam uma jornada que inclui muita produção, paciência, energia e claro, um bom lugar pra ir.
Quem não se lembra das noites calorosas no Degrau, a eletrônica New York, o dance delirante da Over Night. O som do Manga Rosa, as festas da Dindio’s, o aconchego do Bye Bye Brasil, do rústico Fogo no Rato?. Isso sem falar no inovador Luiz XV, que revolucionou Dourados com um ambiente fechado.
E do Refúgio dos Anjos? Onde os amantes da MPB se reuniam, em cima do edifício Adelina Rigotti, que proporcionava uma vista de toda a cidade. Quem poderia esquecer do Chalé, no começo de 1995. E do movimentado Rancho dos Amigos, no tempo em que o Grupo Tradição ainda tocava toda semana na região.
E da histórica Broadway? Que entre tantas atrações que a noite oferecia, ficou marcada na lembrança dos jovens da época. Para muitos, ainda não surgiu uma casa noturna que se compare à ela.
Inaugurada em abril de 1993, a Broadway, com o seu dinamismo, foi a casa mais bem sucedida da Grande Dourados. Com audácia e irreverência, os irmãos Monarin conseguiram movimentar a noite douradense por sete anos consecutivos.
Ficou famosa por suas atrações inovadoras.“Vários artistas da Rede Globo e grandes músicos já passaram por lá, como Maurício Mattar, Kid Abelha, Paralamas do Sucesso, Roupa Nova e muitos outros”, comenta um dos sócios da antiga Casa, Alemão Monarin. Eles também realizavam desfiles com manequins famosas e festas que chamavam muito a atenção dos jovens.
Os sócios sempre promoviam festas para atender a necessidade do público. Tinha a Festa das Mulheres, até meia-noite só mulher podia entrar e a bebida nesse período era gratuita e em todo aniversário, uma camiseta era o convite. "Uma vez fizemos a ‘Noite da Banheira’, igual à banheira do Gugu. Tivemos que fechar a portaria às 23h30, pois não cabia mais ninguém. Fora a “Sexta Sertaneja”, que era o maior sucesso, tinha gente que não ia embora enquanto não comia a macarronada”, relembra Alemão.
A Broadway definitivamente era uma boate muito eclética, pra todos os gostos e estilos, um lugar onde os jovens se encontravam pra dançar e ouvir uma boa música. “Acho que a Broadway deveria voltar, ela é uma história de grandes eventos, para um público já pré-definido, onde todo mundo se reunia. Atraía pessoal de toda região, o ponto de encontro da rapaziada, um local seleto e tipicamente com muito rock. Pra época, um ambiente bem divertido, deveria voltar mesmo”, diz Eduardo Palomita, freqüentador da antiga Broadway.
Dourados teve várias fases e estilos, passando pelo rock, pop rock, sertanejo, MPB, dance music e mais atualmente o techno. E para saciar essa sede musical, muitos bares e casas noturnas já passaram pela cidade. Algumas marcaram profundamente a vida de muitas pessoas, com seu individualismo e seu encanto. Algumas tiveram uma vida bem curta, outras sobreviveram.
Todo dono de bar ou casa noturna sabe que tudo tem sua mágica, uma vida útil e, para se manter forte na noite, é necessário inovar junto ao público.
O músico Daniel Freitas acompanhou as várias fases da vida noturna de Dourados. Ele conta que começou trabalhar no bar Refúgio e era difícil se manter na noite. Segundo ele, a galera freqüentava um lugar por um tempo e, quando abria um novo, todo mundo ia pra lá. Para ele a melhor fase do rock em Dourados foi entre 1998 e 2001, com o Alquimia.
A chegada do Alquimia, em outubro de 1998, trouxe uma alternativa na noite, um lugar para tomar cerveja e conversar com os amigos ao som de uma banda, ao vivo. A idéia, o conceito e o visual do Alquimia atendeu as necessidades do público, buscando sempre a renovação do ambiente.
Com o tempo, a casa já se tornou um bar com um público cativo. Uma casa que sobreviveu aos diferentes momentos musicais de Dourados. “É muito legal tocar para vários tipos de público. A galera mais velha começa a ficar em casa, enquanto o pessoal mais novo a aparecer no bar. Acompanhar essa transição, para nós, músicos, é bem gratificante, diz Daniel”.
Hoje, o bar engloba dois ambientes, três bares e muita diversão. Um lado é procurado por um público que gosta de rock, e o outro ambiente, com muita música eletrônica, e ainda conta com um telão que roda videoclipes por toda a noite.
Em meio ao êxito do Alquimia um novo espaço é inaugurado: o Taj, uma casa temática com ótima programação e boas atrações musicais. A decoração é despojada, com sofás e camarotes, um lugar muito bem elaborado e seleto. Mas está fechada já faz algum tempo, talvez reabra futuramente.
Como não podia faltar um ambiente predominantemente com músicas sertanejas e modas de viola, têm o Sítio Choperia. Um complexo de lazer voltado à cultura Country & Sertaneja. Os cowboys e cowgirls podem abrir um sorriso largo no rosto, pois esse é o lugar de encontro, com músicas de viola ao vivo e muita dança. Com uma decoração bem característica, composta por ipês e madeiras, a casa é bem movimentada, um espaço para as duplas e grandes nomes da música caipira se apresentarem. É especialmente pra quem gosta de dançar bem coladinho ouvindo uma boa música sertaneja.
E numa conversa de bar surgiu a mais nova Casa Noturna de Dourados, a Chilli. O nome veio homenagear a classe feminina, pois antes havia apenas ambientes masculinos: o Taj, o Sitio Choperia, o Alquimia.
Todo layout da Chilli foi minuciosamente planejado, com pesquisas que foram desde o paisagismo até a decoração interna, que traz motivos mexicanos, num jogo de cores, móveis e objetos que dão aconchego e conforto a quem freqüenta a casa.
Preocupados com a tranqüilidade de seu público, externamente a Casa possui uma estrutura de madeira para diminuir a vibração e o teto tem efeito térmico e sonoro, além dos banheiros bem equipados. “A Chilli é um espaço maravilhoso, com uma mata inspiradora. Quando começamos a montar a equipe, trabalhamos a idéia de trazer o melhor da cadeia produtiva de eventos de Dourados para dentro da Chilli, em relação à arte gráfica, ao telão, ao barman e toda a estrutura da noite. Inclusive um diferencial, onde o menor não entra, proporcionando assim uma interação social um pouco mais adulta”, explica Homero Torres, proprietário da danceteria.
A casa vem com o objetivo de captar atrações regionais, nacionais e internacionais da música eletrônica e acústica, tornando a música eletrônica a palavra de ordem na noite. Além do ambiente rodeado pela natureza e a decoração interna, os freqüentadores ainda tem o desfrute de um bom atendimento, seguranças e deliciosos drinks. A proposta dessa apimentada casa é inovação e ousadia. Voltada para a cultura, a casa conta com apresentações relâmpagos, feitas pelos artistas do Circo Miúdo, Débora e Xita Yamashita.
A cada 15 dias, nas quintas – feiras, acontece o Sarau, com o mestre de cerimônia Dagata, abrindo possibilidades às bandas que estão começando. É a única casa na cidade que permite livre acesso aos artistas.
A noite douradense ainda dispõe de ambientes bem diferenciados, como a Cachaçaria Água Doce, um ambiente pra beber e bater um papo, o Procopiu’s Boliche, para se reunir com a galera e ainda jogar uma partida de boliche. O Alambique, que tem uma programação mais alternativa, com blues, jazz. O Canecão, que possui um cardápio bem variado e o Kikão, um dos melhores restaurantes de Dourados.Esses lugares incrementam as opções noturnas em Dourados.
Nos últimos anos o público universitário aumentou bastante e se tornou uma comunidade expressiva em Dourados, movimentando a noite em busca da balada perfeita. As casas noturnas e bares se empenham para satisfazer todos os gostos e estilos, oferecendo boa música, festas animadas, drinques criativos e muita gente bonita.
Ao final dessa viagem, pode-se ter a sensação de que a Grande Dourados possui lugares pra todas as expectativas noturnas. Desde um ambiente calmo com músicas leves ao extremo de diversão. Porém o mais importante é estar num ambiente bem arejado, em que o público se sinta à vontade, apreciando um bom som e com companhias agradáveis. Transformando a noite numa experiência rica e prazerosa, completando assim o cenário de badalação e paquera da noite douradense.

(Por Danielle de Medeiros, matéria publicada na Edição Especial - 13º Aniversário do Jornal Diário MS - 13 de Setembro de 2006)

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