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Normalidade x Anormalidade

Dico da Fonseca
Diversidade x castração
1
Dico da Fonseca · Porto Alegre, RS
2/7/2007 · 102 · 1
 

Estou estarrecido com tanta punheta que gira em torno da cansativa discussão a respeito da normalidade ou anormalidade dos homossexuais. Parece-me que, em muitas circunstâncias, no frigir dos ovos, há um jogo de egos em que a humanidade se esvai ralo abaixo no embate. Mesmo que Cristo invente de aparecer para apaziguar a discussão e dar um aval, ninguém mudaria de opinião e bobeia ele seria taxado de anormal, caso se apresentasse de cabelos compridos, saiote e pé no chão! Uns diriam: "Que cara louco!", enquanto outros diriam: "Que bicha uó!"
Aliás, discutir o conceito de "normal" no nosso tempo beira o anacronismo. Eu, que sou/estou homossexual, só digo aos defensores infatigáveis da anormalidade homoerótica que, se ser normal é pertencer ao status quo com sua hipocrisia, ou seja, casar e procriar mesmo à custa da obliteração do Eu, violentar o corpo e a expressão com posturas que foram incrustadas como sendo as normais (afinal, homem que é homem não chora, não cruza a perna em "x", não beija no rosto de seus amigos homens, não acha homem bonito, olha para a bunda das mulheres e faz gracejos obscenos e babacas, etc... E isso tudo é normal!) EU SOU ANORMAL!!!
Talvez - e eu repito, talvez, pois se eu aqui apresentar um juizo de valor, estarei sendo contraditório - um comportamento não tanto saudável, digamos assim, seja a quantidade de homens casados e pais de família que procuram gays, travestis, transexuais, etc. (estes dois últimos, sim, segundo o julgamento dos "xiitas" devem ser uma espécie de representação do demônio na terra), para satisfazer seus fetiches sexuais. Isto sem mencionar os banheiros públicos masculinos onde classes, cores, credos, solteiros, casados se misturam numa fusão de instintos. É óbvio que não acho condenável estes fetiches, afinal se as partes envolvidas estão de comum acordo (não é?) qual é o problema? O que não acho muito justo é o fato de enganarem as suas famílias ou seus parceiros. Mas mesmo assim, ainda os respeito pois acho que as coisas não são fáceis de serem resolvidas de modo objetivo. Há que se entender o ponto de vista do outro. O que é fácil é apontar o dedo para o que julgamos ser a podridão alheia, mas olhar para os nossos problemas requer paciência e, acima de tudo, humildade. Lembro de ter lido uma comparação muito sábia não sei aonde: quando apontamos um dedo para outra pessoa, sempre haverá três dedos apontando para o nosso umbigo! Foda, não é? Pois é, eu também acho!
Como dizia o carinha aquele que era outro anormal (não por ser gay - pelo menos que eu saiba! -, mas por outros motivos!) há mais mistérios entre o céu e a terra que a nossa vã filosofia possa imaginar!
A propósito, como enquadraríamos um homem casado (a priori heterossexual) que gosta de sair com travesti e ser passivo? Um anormal? Sem querer ser tautológico e já o sendo este homem é um homem casado que gosta de sair com travesti e ser passivo!
Sejamos felizes, porra!
Um beijo em todos, em homens e mulheres e suas variações!

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Alê Barreto
 

Importante sua reflexão. E muito importante e lúcida foi esta colocação sua: "(...) Há que se entender o ponto de vista do outro. O que é fácil é apontar o dedo para o que julgamos ser a podridão alheia, mas olhar para os nossos problemas requer paciência e, acima de tudo, humildade".

Alê Barreto · Rio de Janeiro, RJ 2/7/2007 21:32
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