Nuances de uma Mente Psicótica

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Dr. Raoul Duke · Internacional , WW
10/9/2007 · 7 · 0
 

Modo promíscuo de ganhar a vida, diria sutilmente o escritor americano Norman Mailer. Os jornalistas são incansáveis voyeurs que vêem os defeitos do mundo, as imperfeições dos indivíduos e lugares, analisaria Gay Talese em mais um dos seus panegíricos ao Novo Jornalismo. Na mesa do editor, o espírito outrora inefável é decapitado. Fatos. Esses são a meta, ainda que invariavelmente, sejam mal compreendidos. A tristeza é seu espetáculo. Câmeras, microfones e gravadores se tornaram parte integrante dos acontecimentos correntes. Se a imprensa está ausente, políticos cancelam seus discursos.
Existe um traço que se pode considerar constante no comportamento dos jornalistas: um certo mal-estar ou uma resignação cínica diante de um mundo cujo luxo e ostentação participam, mas de cujos aspectos dificilmente usufruem. Uma vida pendular entre realidades opostas, o que em diversas oportunidades seduz a corrupções e deslizes éticos.
A curiosidade maior que eles têm é endógena; ela está em acompanhar o trabalho de outros jornalistas. Não como forma de aprimorar o próprio ofício, mas como uma espécie de auto-afirmação. O mundo que eles descrevem se refere à outra coisa completamente distinta; algo que muda de qualquer maneira o tempo todo, em que os líderes são transitórios e as notícias e interesses são a cada dia diferentes. Eles se vêem como organizadores eventuais – mas não muito independentes – de uma complexidade caótica que, de certa forma, constroem.
Seres inquietos, cujo trabalho da mesma instantaneidade com que é publicado, também é esquecido. O oferecimento de novos exemplares do jornal permite o prosseguimento da história. Produto de elaboração complexa, com técnicas específicas, num ritmo febril em todo o processo, o jornal não resiste ao tempo. A sucessão dos números do periódico é não apenas um modo de cadenciar a experiência de um tempo fragmentado, mas apresenta também a negação da hipótese de uma profundidade temporal. Seres lúgubres. Registram de seu modo peculiar as notícias do mundo como vêem, ouvem, e crêem compreender. Justificativa para o complexo de Clark Kent. Como as indústrias das histórias em quadrinhos e da cinematografia levam a crer, o jornalista é um herói de ação dotado de um poder pouco compreendido e quase sempre incomensurável. Seres, portanto, poderosos, porém danificados psiquicamente.

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