O Bicho Homem pede socorro

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Valéria Nascimento · Aracaju, SE
5/4/2007 · 9 · 2
 


Nas calçadas, nos semáforos, nas esquinas... eles estão ali desprezados e esquecidos diante da correria da cidade. Alguns tentam chamar a atenção como podem seja fazendo discursos religiosos, apelando pela condição de fome das crianças ou até mesmo pedindo uma ajuda para voltar a sua terra natal. Talvez você nunca os tenha notado, tenha sentido pena ou quem sabe revolta por eles estarem abandonados à própria sorte nas ruas.

Maria é uma típica “moradora†de rua. Não se cansava de dizer que estava acostumada à rotina de mendiga, assim pouco importava as promessas eleitoreiras recebidas a cada dois anos. Desde o nascimento da sua terceira filha, ela jamais conseguira retornar ao mercado de trabalho e, desse modo, sua vida seguia sem rumo certo e poucos sonhos de um futuro melhor. Hoje, com quatro filhas, pedia a seu Deus que não a abençoasse com mais uma criança porque temia pelo amanhã delas entregue à própria sorte. Infelizmente, não tivera a grandeza de ter um companheiro para dividir as incertezas, pois ele a abandonara quando ainda estava grávida do seu último bebê.

Quando a questionavam como alimentava a si e todas as suas filhas, a resposta era rápida e certeira: “o povo ajuda muitoâ€. Como assim? Durante o dia, sempre conseguia um “dinheirinho†para dar a comida e o vestuário para as crianças, mas, durante a noite, sua vida era mais conturbada porque há muito tempo não tinha moradia certa – um dia em casas e prédios públicos abandonados; noutro dia, pedindo a um ou outro parente para deixar que as meninas dormissem embaixo de um teto. Seu instinto maternal não permitia submeter sua prole totalmente às mazelas da Vida, afinal a noite reserva surpresas nem sempre tão agradáveis assim.

Como imaginava o amanhã de suas meninas? Ela não sabia ao certo, mas dizia que sonhava em algum dia poder ter um teto e um emprego para fornecer uma vida digna a todas. Atualmente, Maria desabafava que até manter as filhas no colégio era difícil apesar do fornecimento de material didático e alimentação gratuitos. Afinal, “ser morador de rua não dá para luxarâ€... é o hoje sendo mais onipresente do que um futuro a longo prazo quiçá inexistente. Mesmo com pouca formação educacional, sabia que, com um pouco mais de instrução, talvez as oportunidades aparecessem com maior facilidade a sua descendência.

Ficou indiferente? É! Cada um tem seus problemas. Um chora, enquanto o outro ri como diz a canção. Será mesmo? Será digno uns terem tantos e outros terem tão pouco? O que fazer? Claro que um, sozinho, não vai solucionar as mazelas do mundo. Se juntos, somos mais. Então, talvez começar a enxergar o próximo seja um bom começo. Confesso que dá uma certa repulsa ao analisar que a harmonia passa tão longe da convivência da espécie humana. Já reparou como outras espécies sabem o que significa a palavra união? Reflita!

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Egeu Laus
 

O que você sugere efetivamente Valéria?
"Enxergar" parece já estar sendo muito pouco...
Um abraço!

Egeu Laus · Rio de Janeiro, RJ 4/4/2007 00:07
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Valéria Nascimento
 

Egeu, a idéia é expor textos sobre problemas sociais. Afinal, precisamos enxergar primeiramente as mazelas para depois nos propormos a fazer algo p/ resolver. Na verdade, o texto ñ é absoluto e definitivo. Aceito sugestões.... Por enquanto, apenas os problemas, mas quem sabe no futuro as soluções. IDÉIAS são aceitas, sim, / melhorarmos a nossa realidade.

Valéria Nascimento · Aracaju, SE 4/4/2007 09:25
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