O Caminho do lixo

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João Henrique Almeida · Belo Horizonte, MG
19/6/2009 · 0 · 0
 

O lixo é um problema social e ambiental em todo mundo. A cada dia são discutidas novas alternativas e tecnologias que permitam práticas ambientalmente corretas. Com a palavra sustentabilidade em moda, muito se tem discutido sobre práticas sustentáveis e de como se tornar um cidadão ecologicamente correto. Uma alternativa simples e que ainda é pouco explorada, é a coleta seletiva. No Brasil, segundo dados da associação sem fins lucrativos Compromisso Empresarial para Reciclagem – Cempre, cerca de 7% dos municípios realizam algum tipo de coleta seletiva. Em Minas gerais, dos 853 municípios, apenas 37 deles disponibilizam o serviço de coleta seletiva aos seus cidadãos. Belo Horizonte está nesta pequena lista e atualmente disponibiliza o serviço em 30 bairros da cidade.
A iniciativa surgiu em novembro de 2007 em alguns bairros da região Centro-Sul. Na época foram realizadas reuniões com a comunidade além de campanhas de divulgação. Mas de acordo com Aurora Pederzoli, chefe do departamento de programas especiais da SLU, apesar do serviço existir a quase dois anos, a adesão da população ainda é considerada baixa: “do total de pessoas atendidas pela coleta, apenas 20% separam o lixo de maneira adequada”, comenta. Segundo estimativas do Serviço de Limpeza Urbana – SLU – cerca de 354 mil pessoas já contam com o serviço, que é realizado nos bairros Cidade Nova, São Luiz, São José, Buritis, Estoril, na área comercial do Barreiro e na maioria dos bairros da regional Centro-Sul, exceto a área central e nos aglomerados e vilas no entorno.
A coleta seletiva é realizada uma vez por semana em cada bairro, com horários e dias definidos. São recolhidas diariamente cerca de 20 toneladas de materiais recicláveis, que são encaminhados para galpões de triagem, onde os catadores realizam a separação dos materiais. Após esta separação o material é estocado, para juntar um volume maior, e vendido posteriormente. Além de disponibilizar a maioria dos galpões, a prefeitura doa o material a sete associações de catadores, que realizam as vendas do produto e repartem o lucro entre si.
De acordo com Aurora Pederzoli, a meta para o ano que vem, é que a prefeitura amplie a coleta para mais 15 bairros. Mas, para isto a PBH está enfrentando um outro problema, que é a falta de estrutura e espaço físico nos galpões. Segundo Aurora, esses galpões estão com a capacidade esgotada e falta de espaço, aliada a outros problemas, resultam em condições inadequadas de trabalho para os catadores. “Muitos trabalhadores realizam a separação dos materiais em pé ou sentados em fardos” admite. Mas para sanar este problema, a prefeitura está construindo um novo galpão de triagem de materiais recicláveis, com previsão de entrega para o início do ano que vem. O galpão esta sendo construído na zona leste da cidade e de acordo com a coordenadora do departamento de programas especiais da SLU, ele atende a todos os requisitos necessários. “Este galpão vai se tornar referência, pois ele possui uma ótima estrutura física e atende as normas de segurança e ambientais”, diz.
Outro programa de coleta seletiva realizado pela PBH é direcionado a sacolões e restaurantes. A SLU realiza a coleta de material orgânico, como restos de alimentos, em estabelecimentos das regiões Nordeste e Noroeste e encaminha a central de compostagem, localizado na BR 040, onde funcionava o antigo aterro de Belo Horizonte. Lá esse lixo orgânico é armazenado e se transforma em adubo, que é utilizado na manutenção das praças e canteiros da cidade. Os moradores dos bairros que ainda não possuem coleta seletiva podem utilizar de outras alternativas para ficarem em dia com meio ambiente. Uma delas é levar o material separado a postos de coletas, que geralmente ficam em supermercados, bancos e demais estabelecimentos comerciais. Outra opção é se reunir com vizinhos para reunir uma quantidade maior de materiais e combinar com os catadores um dia específico para a coleta. Um meio ambiente sem poluição é direito e dever de todos, faça sua parte!
Coletando histórias
A rotina de trabalho dos catadores de lixo começa cedo, às oito horas da manhã os caminhões devem sair da garagem e seguir o seu caminho para a coleta seletiva. Eles se organizam em grupos de quatro pessoas por veículo: um motorista e três catadores, que se revezam nas tarefas de recolher o lixo ou ficar dentro do caminhão organizando os materiais coletados.
Acompanhamos a coleta seletiva no bairro do Serra. No início já podemos perceber a harmonia que há entre os catadores e os moradores do bairro. “Sempre eles nos dão alguma coisa que eles não usam” diz o motorista Agamenom Gomes de Souza de 38 anos. Além de dirigir o veículo ele também trabalha como coordenador da viagem. Com uma prancheta na mão ele anota todos os pontos onde há materiais que não são coletados por eles. “Nós apenas coletamos materiais recicláveis, os outros materiais são coletados pelo outro caminhão. Sempre anoto o nome da rua e o número da casa onde o lixo não está de acordo, pois se eles reclamarem que não pegamos o lixo, temos como provar” afirma.
Depois de uma hora de coleta sentimos mais uma amostra da solidariedade das pessoas. Em uma creche localizada no bairro, fizemos uma parada para recarregar as energias. No cardápio servido por uma funcionária, nós podemos saborear biscoitos, café e uma deliciosa vitamina de banana. “Todas às vezes em que passamos por aqui, a proprietária da creche nos serve um lanche. Isso é muito bom, pois a maioria das pessoas nem passam perto da gente” conta Agamenom.
A coleta seguiu por mais uma hora até encher o caminhão. Depois disso, fomos até o depósito localizado na Avenida dos Andradas. Lá o lixo foi descarregado e separado pelos catadores de diversas associações, para posteriormente ser vendido. O caminhão da coleta seletiva é menor que o veículo da coleta normal, por isso é necessário realizar mais viagens. Essa foi a primeira parte do itinerário, logo após o descarregamento o caminhão retorna para o bairro Serra e continua a coleta na outra parte do bairro.

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