Zé de Jove tem hoje mais de 60 anos e virou patrimônio vivo da cultura popular local. Isso por que é o mestre do Guerreiro mais famoso da região...
Filho de Dona Jove, Zé é casado com Dona Mariinha e tem 18 filhos. E como manda a tradição todos os seus filhos foram criados dentro do mundo lÃrico da brincadeira. Cresceram meio a fitas, espelhos, e papel colorido. Quando chegava o tempo de preparar o Guerreiro para se apresentar... Isso no tempo de natal... A casa virava uma verdadeira oficina de confecção do vestuário do grupo. Aà todos botavam a mão na massa. Os filhos maiores e menores se misturavam entre ajudar e atrapalhar aquela fábrica de sonhos comandada pelo mestre Zé de Jove.
Bom? Bom era quando chegava à noite do sábado. A casa enchia de gente. Vinha de todo lugar, entre brincantes e admiradores o terreiro da casa ficava abarrotado. Era a noite toda de folia. O ensaio do Guerreiro de Zé de Jove era a grande atração daqueles sábados de outubro e novembro na comunidade de São José.
Zé, os filhos e netos se dividiam entre o cordão encarnado e o cordão verde... A figura do Ãndio era anunciada nas vozes das meninas que se esforçavam para não sair do tom. As “figuras†saudavam a chegada do Ãndio Peri. Ia começar o momento mais aguardado da brincadeira: o confronto, a luta, o amor.
É assim que o Guerreiro e o seu Mestre Zé de Jove resistem até hoje, em nome do amor pela arte herdada dos seus pais. Tá no sangue dele! Tá no seu sangue esta arte popular. Zé é um dos últimos Mestres vivos, que quando começa a falar do guerreiro, o choro é inevitável.
Relato baseado no Guerreiro de Zé de Jove. Guerreiro da comunidade de São José da Caatinga/Japaratuba/Sergipe.
Zé de Jove foi homenageado no IV CAATINGART. O Guerreiro mirim foi saudar o mestre na sua casa. Este emocionado correu para dentro de casa e logo voltou vestido de Rei do Guerreiro. Daà foi só folia...
Me emociono muito com essa resistência (que vem do amor) dos artistas populares. O Zé do Jove que você descreve parece com outros artistas assim que conheço. O fato de fazerem de forma lúdica, sem esperar reconhecimento, remuneração, somente pelo amor e pela necessidade de perpetuação da arte que aprenderam a admirar desde criança.
Gostaria muito de ver por aqui fotos do Guerreiro.
Abraços
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