O tic tac da Criação Artística Reflexiva

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Tiago Ortaet · Guarulhos, SP
1/10/2007 · 21 · 1
 

Quais caminhos apontamos aos nossos alunos? Quais resultados queremos? Quais fôlegos de autonomia de produção e procedimentos favorecemos ao aluno em seu laboratório de criação pessoal e coletivo? As relações entre construção e estruturação de projeto artístico na escola como tempo de aprendizado interativo nos mostram deficiência não no que é apresentado como objeto de estudo, mas como isso é apresentado e digerido como conduta aos alunos. O tempo sempre nos favorecerá quando pensado estrategicamente ao nosso favor, isso requer ferramentas, material humano e humanidades, de todas as partes, principalmente das hierarquias que conduzem a escola, não somente dos alunos, como é fácil exigirmos. Mais do que respostas, a tendência de meu discurso é para o debate e não somente a acusação, que seria vazio, somando-se assim com as experiências vividas para acentuar a reflexão.
O tempo não sendo tratado dessa forma ele fatalmente nos engole e destroe planos pelas pressas e organizações de pensamento desmanteladas.
Buscar respostas para questionamentos de cunho político pedagógico, didático e acima de tudo artístico são posições que não parecem fáceis de serem postas em prática numa escola redondamente arcaica. Redonda por dar voltas em si mesmo e não ver nada além de seu famigerado rastro de séculos passados. Arcaica por preservar, como num vidro de formol, o corpo didático da época de nossos pais, avós, bisavós e outras gerações do antigo império.
Se o sistema emperra nossos projetos, ainda há muitos que contribuem para que ele hegemonicamente continue assim. A sensação que dá é que ninguém está propenso a assumir responsabilidades.
E como se sentem os alunos nesses impasses? Quem de nós nunca foi aluno? Afinal, permanecemos eternamente nessa vida educadora que somos matriculados, já entoava Cora Coralina em seus dizeres. Sendo assim a aprendizagem não está exclusivamente armazenada numa sala, tendo ao seu dispor um quadro verde, que já chamaram de negro e o professor lá na frente, ao lado da porta. Certamente a porta já nos atraiu muito mais em alguns casos, podemos até não reconhecer, mas que por muitas vezes esse duelo houve, tenho convicção.
Demos então vazamento a porta da construção, a chave existe, mas tentam esconder, freqüentemente.
Explorar fatos e artefatos humanos parecem muito distante de aprendizado, mas em experiências realizadas comprovei que não.
Cada detalhe, por mais imperceptível que possa parecer, de fato não é, uma vez que juntos ou mesmo isolados, querem nos revelar enquanto figura humana, carente de exibição, em todas as fases da vida, de formas diferentes, mas sempre em evidencia, nos mostramos animais racionais pensantes em potencial e sobretudo exibicionistas, quando podemos. Assim nos garantimos parte de um todo e nos defendemos assim, atacando. Por que será que há tanta indisciplina na escola? Não estou descartando em hipótese alguma o caráter de educação familiar que muitas vezes falta, mas será que é mesmo só isso?
O descobrimento perante nós mesmos, não resume-se a filosofia, a psicologia, mas abarganha a arte de modo integral, assim acentuamos nossas diferenças de fronte um espelho intimista. Como cita a canção de Zélia Duncan : “tudo aqui quer me revelar...”
Esse revelar estará, ao meu ver, sempre no gerúndio, pois o “revelando” é permanente. Pena de nosso sistema imediático que sucumbi nossas possibilidades em troca de um instante solto e desprezo. É desejável o tempo para produzir, o tempo de plantação de idéias, a maturação de tudo isso, para então vir o semear. Uma conjuntura propícia para o desenvolvimento individual, isso resulta no coletivo.
O enunciado teatral nos equivalem enquanto capazes de nos revelarmos de formas vigentes ou arquétipos dos que vemos na sociedade, ou seja, em outras palavras, o teatro potencializa o prazer de poder ser, mesmo que por instantes, quem não sou, mas posso ser, é uma brincadeira entre o ego e o alterégo.Neste jogo plenamente educativo, constrói-se um processo de aprendizado autônomo, onde o condutor deste percurso criativo aponta caminhos e o tempo mastiga gradativamente as idéias em afloramento. A escola necessita disso, mas parece não se dar conta desta carência. É preciso, garantir estruturalmente concepções sugestivas deste aprendizado, declarando imprescindivelmente o caminho para que o resultado revigore mais tarde, caso contrário, o aborto desses insights é inevitável. Jamais esses detalhes primordiais serão “tempo perdido” e não a toa atribuo essas interações como parte reveladora do que está por vir. As pessoas sempre se complementam e se enriquecem com essas mediações. Qual é a previsão do tempo para sua escola?Prof. Tiago Ortaet
ARTE

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Jornalista81
 

A educação no Brasil é um assunto preocupante.
Existem várias idéias para se melhorar esse cenário, mas não há muita atenção do alto escalão do poder em relação a isso.

Jornalista81 · Brasília, DF 3/10/2007 19:21
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