Saudades do excitante estremecimento coletivo causado por um bom escândalo sexual! Não um escândalo qualquer. É preciso que seja um desses escabrosos, inesperados, absurdamente torpes e espetaculares forrobodós envolvendo, obviamente, um polÃtico arrastado para as profundezas do disse-me-disse da imprensa, do povão, dos bispos, do papa, do céu e do inferno.
Queremos que saia do armário um escândalo semelhante àquele que, em outubro do ano passado, atropelou o congressista norte-americano Mark Foley, democrata pego em flagrante enviando emails obscenos aos rapazinhos que trabalham como estagiários no Congresso dos EUA.
As estatÃsticas não mentem: é impossÃvel que no meio de 593 parlamentares brasileiros - 513 na Câmara e 80 no Senado - não exista um senhor que do alto de sua aparente dignidade não esconda um segredinho de lesa-sexo.
Onde está este parlamentar? Onde está o escândalo que nos ocultam? Quem se interessa pelo fato de que Renan Calheiros manteve sua amante Mônica Veloso com dinheiro de uma empreiteira? A corrupção já é coisa banal, corriqueira, perfeitamente adequada como acessório indispensável à carapaça dos polÃticos. O que desejamos mesmo são os detalhes sórdidos da esdrúxula relação entre este sujeito baixo, gordo e feio e a bonitona da Mônica.
Queremos o som da alcova do presidente do Senado Federal e da jornalista, os estertores do prazer, gemidos, gritinhos excitantes, quem sabe uns tapinhas? [é perfeitamente aceitável como fundo musical um sussurro saÃdo da profunda garganta de Marta Suplicy que, melosa e sexymente, pronuncia as palavras cabalÃsticas: "relaxem e gozem, queridos"].
Como não temos esses detalhes de uma excruciante luxúria, busquemos o impensável: quem é o parlamentar que busca garotos de programa na noite de BrasÃlia, o senhor engravatado que relanceia olhares melosos para os rapazinhos do Congresso Nacional? Clodovil não vale. Há muito tempo o sujeito transformou-se num patético e lamentável pastiche de si mesmo, sem brilho, monótono em suas pregações de auto-ajuda, enjoativo, tolo.
Queremos o Mark Foley do Brasil. Naturalmente, um escândalo desse porte não servirá para coisa alguma a não ser lançar sobre o Congresso Nacional mais holofotes, mais câmeras, mais curiosidade. No cabaré felliniano em que o Congresso se transformou, onde aquela gente altamente suspeita não está nem aà para a Nação, um escândalo a mais ou a menos não fará a menor diferença mas, pelo menos, nos trará mais um divertido capÃtulo da melancólica decadência da polÃtica brasileira.
Seu texto me fez lembrar das aulas de Opinião Pública; o professor 'ensinava' como 'se sair' de pandemônio como esse. A gente ria muito pintado o quadro do escândalo perfeito. Não faltavam boas doses de orgia, luxúrias pagas com dinheiro público, um pouco de violência e otras cositas mas... Abraço.
FILIPE MAMEDE · Natal, RN 19/6/2007 11:18Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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