É interessante como se tem visto na mÃdia a incompreensão geral de todos no que tange à quela criança que efetuou um disparo contra sua professora e em seguida tirou sua própria vida. Nem psicólogos, nem jornalistas, ou polÃticos (estes já quase nunca manifestam opinião sobre nada), nem sociólogos ou qualquer outro profissional levanta uma possÃvel razão para a atitude daquela criança tranquila, de dez anos de idade, com boas notas e, aparentemente, com uma boa famÃlia. A verdade é que o Brasil tem tapado os olhos para as pessoas, enquanto pessoas. O descaso predominante e constante está ocasionando essa onda de fatos atÃpicos e tipicamente bárbaros.
E o Brasil é o paÃs do faz de conta. Faz de conta que se importa com as pessoas, faz de conta que vai resolver a situação, faz de conta que as entidades são sérias. Pouco se passou do caso do ex-aluno Wellington Menezes de Oliveira, que assassinou treze crianças em uma escola do Rio de Janeiro, e já ninguém falou mais nada acerca do caso, mesmo tendo sido um fato extremamente bárbaro e atÃpico em nosso paÃs. Esse aluno, conhecido pelo seu jeito diferente, solitário e anti-social, mesmo os colegas, vizinhos e ex-professores, sabendo de tal situação, nada fizeram para tentar integrá-lo à sociedade, e tampouco se aperceberam de que o mesmo encontrava-se com algum distúrbio psicológico, apesar dos indÃcios mais que aparentes.
Essa criança que efetuou o disparo, não somente é mais uma vÃtima de Wellington Menezes, como é uma vÃtima da sociedade, uma vez que apesar de bom aluno, obediente aos pais, com boas notas, não teve seu reconhecimento por parte, nem da escola, nem dos professores e muito menos do governo, que não dá a mÃnima para o mérito particular das pessoas e prefere, em todas as esferas, favorecer parentes, amigos e outros indicados. É vÃtima de Wellington, uma vez que a barbárie ficou registrada em seu sub-consciente, e acreditou, que tal como este, poderia resolver seus problemas os eliminando brutalmente; tanto é verdade tal fato, que efetuou o disparo contra sua própria cabeça em uma escadaria, exatamente como morreu seu mártir Wellington Menezes, alguém se lembra?
Os brasileiros em sua maioria já sofreram, sofrem ou sofrerão algum tipo de transtorno psicológico, e quando ocorre algum incidente dessas proporções, o governo nada faz no sentido de amenizar toda a tensão gerada em toda a sociedade. As crianças são obrigadas a ir para a escola sob a condição de estado de guerra, com o perigo das balas perdidas, da violência policial, do bullying, do desvio das verbas da educação, saúde, transportes; e mesmo assim não recebem a atenção e carinho necessários para tornar-se bons cidadãos, e mesmo assim a maioria se torna, graças a Deus.
Realmente a culpa nessa tragédia toda não pode ser extendida aos pais dessa criança, mas sim ao sistema em que estamos inseridos. Enquanto o governo e a sociedade toda não se pautar na meritocracia, começando a valorizar seus cidadãos, inclusive os pequeninos; estimulando os talentos individuais, observando as personalidades intimistas, remunerando seus profissionais com dignidade, cada vez mais seremos obrigados a assitir o caos e a barbárie se espalhar por esse paÃs como uma doença incurável e altamente contagiosa.
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