Os Novos Teístas e o Naturalismo Religioso

Os Novos Teístas e o Naturalismo Religioso
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Giordano Cimadon · Curitiba, PR
17/6/2012 · 2 · 0
 

Estimulada pelo avanço do Novo Ateísmo, um novo tipo de espiritualidade está tomando forma ao redor do planeta, e seus adeptos emergem do seio das mais variadas denominações religiosas mundiais. Conhecida como Novo Teísmo, esta abordagem é essencialmente naturalista religiosa, que descarta a sobrenaturalidade, o dogmatismo e o autoritarismo, enfocando o humanismo, a liberdade individual e a liberdade religiosa.

Através de uma abordagem que costura ciência, inspiração e sustentabilidade, o Novo Teísmo sustenta que a realidade formada pelas experiências sensoriais humanas é o seu Deus, as evidências científicas são os livros que compõem suas Escrituras Sagradas, a integridade moral é a sua Religião, e a contribuição para um futuro próspero e saudável é a missão de seus aderentes.

Religião e ciência travam uma batalha histórica pela primazia na explicação da origem e do funcionamento do mundo, bem como da origem e do sentido da existência humana. Seus métodos de entendimento da realidade são muito diferentes, e se a ciência levou a pior ao longo de muitos séculos, hoje sua perspectiva avança de modo a angariar descrentes e converter crentes.

Os Novos Teístas não querem conciliar ciência e religião. Querem mostrar como chegar à experiência religiosa através da ciência, ou melhor, de seu lado inspirador capaz de estimular as pessoas de diferentes origens e crenças a viverem integradas umas às outras e a cooperarem com a construção de um mundo próspero e justo para todos.

Para isso, buscam mostrar como a visão da história da humanidade, da natureza do ser humano e da experiência da morte, construída através de evidências científicas, pode fornecer um sentido existencial tão ou mais profundo que o conforto oferecido pelas religiões.

Bem ao contrário dos crentes, os Novos Teístas se autodenominam evidencialistas, e com isso querem dizer que colocam as evidências científicas, históricas e interculturais acima de qualquer escritura sagrada, de qualquer dogma religioso e de qualquer autoridade eclesiástica. Nem por isso desprezam a religião, mas assim como ela prefere a fé à evidência, eles preferem a evidência à fé, e afirmam que seu evidencialismo enriquece e aprofunda a comunhão com isto que pode ser chamado de Deus, Realidade, Vida, Universo, Mistério, Totalidade.

Assim como a fé, os temas sobrenaturais são postos de lado, pois os Novos Teístas são naturalistas. E como naturalistas, eles preferem encontrar inspiração neste mundo e nesta vida, descartando as promessas de uma vida após a morte, seja ela a Nova Jerusalém ou a reencarnação. Contudo, seu naturalismo não os faz desprezar as experiências transcendentais e o mistério, mas os impede de conceber os fenômenos místicos como algo separado da natureza.

A maioria dos Novos Teístas atribui valor aos tradicionais símbolos e aos rituais religiosos, bem como a comunidade que se forma à volta de ambos. Contudo, eles se abstêm de interpretar literalmente qualquer referência sobrenatural ou etérea presente nas escrituras, nos credos ou nas doutrinas. A ideia é interpretar metaforicamente e simbolicamente as suas imagens míticas, da mesma forma como os sonhos são interpretados.

Eles exercem aquilo que poderia ser chamado de espiritualidade prática, termo que deve ser entendido em contexto. Para os Novos Teístas, espiritualidade significa um conjunto de valores e ferramentas que ajudam o indivíduo a cultivar sua integridade, sua relação com a realidade e ajudar os demais e as outras espécies a fazer o mesmo. Trata-se ainda de uma postura interpretativa que oferece esperança em tempos de confusão, alento em tempos de aflição e suporte para encarar as mudanças inevitáveis da vida.

Uma das características que assemelha os Novos Teístas dos gnósticos contemporâneos que aplicam a proposta original de Samael Aun Weor é a sua diversidade, pois não vêem problemas em serem naturalistas religiosos e ao mesmo tempo cristãos, judeus, muçulmanos, hindus, pagãos ou xamãs. Isso porque ambos, novos teístas e gnósticos, não deixam que a literalidade e o dogmatismo limitem sua prática espiritual.

Outra característica fundamental dos Novos Teístas é a sua distinção entre uma realidade subjetiva e outra objetiva. A primeira é chamada de verdade prática, sendo aquela que produz realização pessoal e coerência social. A segunda é chamada de verdade factual, sendo aquela que assim é considerada em virtude de poder ser mensurada. Portanto, os Novos Teístas preferem interpretar a linguagem religiosa através das lentes empíricas, descartando a teologia e a filosofia.

O valor que os Novos Teístas atribuem às religiões não se restringe a um respeito pela preferência religiosa pessoal, mas inclui o papel histórico das tradições religiosas no estímulo à cooperação em escala mais ampla do que aquela que os instintos poderiam ter alcançado por si só. Não existe um credo nesta nova atitude espiritual, apenas a ideia de que a Realidade é Deus, a evidência é a escritura sagrada, a integridade moral é a religião, e a contribuição para um futuro sadio é a missão.

Este movimento é formado por pessoas que compartilham destas visões, mas que ainda sustentam diferenças. Em essência, os Novos Teístas são evidencialistas que reconhecem e valorizam o papel evolucionário das religiões, que valorizam as tradicionais linguagens inspiradas, e estão comprometidos em viver de maneira edificante, de modo que seja possível a construção de um futuro próspero para as gerações futuras e toda a vida no planeta.

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