E se o autor, mesmo sem autorização do editor, resolve estimular a "pirataria" de sua própria obra? Pode? Não pode?
Se for um autor que não produza blockbusters, não pode, não. Mesmo que ele diga que os livros são, em verdade, um
meio através do qual divulga seu trabalho e não sua principal fonte de receitas, o editor não vai deixar um descalabro desses. Oras, deixar que os livros sejam distribuÃdos livremente não pode, não.
Mas e se for um livro blockbuster? E se for um livro de grande vendagem, sobre o qual o autor retira seu sustento? Ai não é que não pode liberar para cópias; o assunto não pode nem ser discutido. É um absurdo. Já pensou? Se os livros técnicos, de vendagem voltada para um nicho, não podem ser distribuÃdos livremente, o que se dirá de um livro de grande vendagem?
Tá bom. Paulo Coelho não figura na minha biblioteca fÃsica - ainda -mas em alguns minutos figurará ao menos em
minha biblioteca virtual. E em português, em inglês, em russo etc. Figurará também na minha audioteca.
É que o Paulo Coelho resolveu criar um blog chamado Pirate Coelho (http://piratecoelho.wordpress.com) no qual estimula a troca de livros seus pela internet.
E o blog ficou muito interessante. A começar pelo avatar que o próprio utiliza. Um Paulo Coelho com um tampão sobre um olho. O conteúdo também é interessante. Ele chega a se mostrar surpreso ao receber torrents de audiobooks dele nos idiomas mais diversos.
Ok. E assim termina o conto de fadas. E foram felizes para sempre.
Mas e a história verdadeira por trás da lenda, qual é?
Bom, ai fica mais difÃcil saber. Mas e se cogitarmos que o próprio Paulo Coelho talvez não saiba bem como operar um torrent? E se, quem sabe, talvez, Paulo Coelho tenha recebido uma ajuda para criar e manter esse blog? Remotamente, será que talvez ele poderia fazer essa pirataria com o apoio de seus próprios editores, como maneira de testar a estratégia?
Paulo Coelho não é mais O Paulo Coelho. Ele, que de metamorfose ambulante já passou a um dos maiores vendedores de livros do mundo, agora não é mais o mesmo.
O mago velho já passou. Há outros mais novos no mercado.
Seria este o autor ideal para que testes sejam feitos? Será que um Paulo Coelho seria o autor ideal, no momento certo, para se testar a "aceitabilidade" da distribuição livre de obras em redes de compartilhamento? Talvez.
Eu, se fosse o titular dos direitos do Paulo Coelho, testaria. E viva a sociedade alternativa.
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