POLÍTICOS, CONSCIENTIZAÇÃO, VOTO E MUSIQUINHAS

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PEDRO FERNANDES · Natal, RN
28/4/2007 · 35 · 2
 

Políticos brasileiros só podem ser mortos com estacas, água benta ou exorcismo realizado pelo próprio papa. A teoria mais popular diz que são orcs de Sauron disfarçados, enquanto outros defendem a idéia de que na verdade são primos pobres do Drácula curtindo a aposentadoria em um país tropical.

(http://desciclo.pedia.ws)


Aliada a toda utilidade surgem n's futilidades. A epígrafe acima foi coletada de um site, o Desciclopédia, que é na verdade uma enciclopédia criada pelos usuários da rede mundial de computadores, apenas para divulgar bobagens, conspirações e mentiras. A intenção de colocar uma epígrafe como esta em um artigo sobre política é plausível porque soa algo de verdade no fundo de toda brincadeira; e tão pura, a verdade, que parte da boca do povo. No limiar de pensamentos como este duas conclusões perigosas se formam:

1. o povo brasileiro sente-se em crise com seus representantes. O controverso é o fato de ser desse tipo de eleitor o voto responsável pela eleição da dita classe de orcs ou parentes pobres do Drácula. A consciência do povo brasileiro ao que me parece encontra-se passando por um sério processo de sucateamento, assim como os ideais, enterrados nas valas do último movimento insulflado pelas massas, as Diretas Já.

2. essa crise representa uma ameaça ao direito conquistado a sangue e suor pelo povo brasileiro. Há mesmo quem afirme que esta esquizofrenia que varre as camadas da sociedade brasileira culmine mais tarde com uma elevada simpatia pelos anos de militarismo. E estes podem voltar a ocupar a cena política do Estado Brasileiro? Dificilmente. Julgo, desde já, tal hipótese falsa, haja visto sou daqueles que prefere acreditar que o Brasil, ainda que cambaleante, segue numa democracia com forte tendências a se consolidar enquanto tal.

Mas, proveniente dessas duas breves conclusões, é interessante ressaltar que, algo poderia (pode ainda) ser feito. O voto apesar de ser uma conquista e nossa maior arma se configura ainda numa arma de mira voltada para nós mesmos. Ainda sequer passamos a entender seu sentido, seu valor; faz-se urgentente, entendê-lo, conhecê-lo.

Não há necessidade nenhuma de retomar como foi sua conquista. Apesar de termos a memória curta, isso não é algo que se esquece assim tão rápido, na primeira curva do tempo. É valorizá-lo. Sim faz-se necessário uma supervalorização de nosso direito maior. E valorizá-lo não no sentido capital, da moeda, quando o sujeito vai lá e troca seu voto por dinheiro, prática descabida e ainda mais comum do sonha nossa vã Justiça Eleitoral; inclusive com práticas modernas intituladas "programas sociais".

Só poderemos virar a face da moeda de pensamentos acerca de nossos representantes como a que introduz este artigo quando da posse de um voto soubermos mirar no alvo certo, a partir do entendimento pleno de seu poder de fogo. Enquanto não seremos sempre surpreendidos com escândalos; estaremos muito em breve, se não nos conscientizarmos, vivendo num país entregue ao Deus dará, abandonado como barco sem rumo, se é que já não nos encontramos. Ainda assim acredito. Pelo menos prefiro acreditar que o voto ainda é nossa maior conquista e nossa maior arma contra os políticos. Pena que temos em nossas mãos uma arma que ainda não aprendemos a manuseá-la; talvez porque não nos foi entregue um manual de instruções. Ou será que que lutávamos sem saber em prol do que lutávamos? Algo porém é certo, não deixemos que essa luta caia no esquecimento. Deveria mesmo existir um feriado, dia santo, sei lá, em prol dessa conquista; só para reavivar nossa consciência para perceber que não se pode brincar de política mesmo que os nossos políticos briquem. Por falar nisso, próximo ano teremos novamente eleições. Os eleitores mais atentos já devem ter percebido que as musiquinhas já começaram a pipocar nos meios de comunicação em massa. Já está na hora, portanto, de se ligar e não ficar só na musiquinha pra lá, na musiquinha pra cá, e depois, oh...

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PEDRO FERNANDES
 

Este artigo reflete justamante o atual momento por que passa a estrutura política no país, serve para ilustrar que o modelo atual de organização sócio-política ainda não se moldou tampouco encontra-se firme o suficiente para manter-se enquanto tal. Há necessidade de uma ruptura com o atual modelo ou adoptar-se um novo modelo para tal? Acredito que não que adoptar novas estructuras e/ou novo sitema polítco não seja o caso, mas o momento porque passamos carece de reflexões constantes acerca e também de refacções e aperfeiçoamentos para com a máquina que nos rege; é assim para todo sistema. Reciclar é preciso.

PEDRO FERNANDES · Natal, RN 26/4/2007 16:23
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FILIPE MAMEDE
 

"brindeira", no segundo parágrafo. Deve ser "brincadeira" não é mesmo? "esquisofrenia" é com Z, "tedências" no quarto parágrafo falta o N. Pois é Pedro, eis ai um excelente recorte desse cenário; político agora virou mercadoria e, o voto agora tem status de moeda.

FILIPE MAMEDE · Natal, RN 27/4/2007 09:17
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