Por que você deve ouvir o novo disco do Autoramas?

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A capa do Teletransporte - mais shows no exterior?
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Gabriel Ruiz · São Paulo, SP
9/8/2007 · 77 · 0
 

Se você ainda não conhece o Autoramas, essa é a hora. A banda acaba de lançar doze faixas no novíssimo Teletransporte. A boa composição do trabalho anterior, Nada pode parar os Autoramas (2003), com músicas “surfsâ€, baladas, tapas na orelha e outras de riffs e letras grudentas, manteve a classe.

A sonoridade do álbum parece ser coisa dos anos 2000 (seja lá o que signifique isso), com a sugestão, inclusive, de uma nova engrenagem numa das faixas (“Faz acontecerâ€). A banda - que acaba de completar dez anos de vida e tem a manha de fazer mais de cem shows por ano (só não toca mais que o Calypso!) - dá as caras novamente com um disco vibrante e carregado de boas canções de palco. E marca a estréia de Selma Vieira, na co-produção de um álbum. No anterior, Simone “Dash†ainda empunhava as quatro cordas.

Quem freqüentou as apresentações do trio formado por Bacalhau (bateria, programação), Selma Vieira (baixo e voz) e Gabriel Thomaz (guitarra e voz) no ano passado, já conhece a trilha de abertura de Teletransporte: “Mundo Modernoâ€. Ela segue uma “pegada†surf / new wave que a banda curte fazer. Com um riff poderoso, curta, direta e, como vários outras do disco, extremamente dançante. É daquelas que coloca a galera pra “polgar†logo quando as primeiras notas são tocadas. O álbum inicia-se também como no trampo de 2003 (“Você sabeâ€), com muito gás.
Na seqüência “Faz acontecer†coloca os famosos (pra quem já conhece o trio) efeitos que parecem “tiros de uma arma espacialâ€, mais ou menos como a faixa “Nada a ver†do Nada pode parar os Autoramas.

“A 300 KM/H†é uma balada trabalhada, calma e romântica, dessas que o Gabriel costuma fazer (Estou a 300 km por hora, sem freio / na sua direção). “Marketeiro†retoma o clima surf e dançante do álbum. Coloca na letra a ironia (?) de que somente o profissional que dá nome à faixa, é o salvador da pátria (Marketeiro / marketeiro/ só você pode me salvar!). “Hotel de Cervantesâ€, que já tem vídeo-clipe e tudo, senão tivesse letra, poderia ser uma trilha dos Dead Rocks – a melhor banda de surf music do Brasil, atualmente.
“Já cansei de te ouvir falar†é uma baita pedrada no ouvido, dessas boas para tocar ao vivo. Os vocais mesclados de Gabriel em contraste com a voz de Selma se encaixam perfeitamente à toada dançante da faixa, pra perna nenhuma ficar parada. A letra revela mais ou menos como os Autoramas conseguem misturar tantas influências (Jovem guarda, rockabilly, punk, surf music entre outras tantas) e ainda assim ter um som original (Eu quero ser o que nunca existiu / ter ambição pelo que nunca ninguém viu / imitar alguém que eu nunca conheci).
“Identificação†é também balada de letra melódica e clima anos 50, talvez. Lembroa Blitz que tocou na FM. Tem um solinho com um desses pedais que o Gabriel achou sabe-se lá onde. Mas passa despercebida.
“Surteiâ€, apesar do refrão ruim (Surtei/ E daí?/ Agora foda-se!), possui vários e bons timbres de guitarra, alternados conforme a música vai se esticando.
“Eu mereço†é outra faixa que certamente pega fogo ao vivo. Tem cara de FM, justamente porque é grudenta.
Em “Muito mais†podemos perceber bem o peso do baixo de Selma e o dedilhar veloz de Gabriel (escute o solo dela e saberá por que).
Já “Digoró†é o herói (ou anti-herói) da música, que parece ser fruto do flanar de Gabriel pelas vias urbanas, com um toque “viajado†das películas de nave espacial: um tipo de crônica ficcionista, baseada em garotos que jogam flippers. Cheia de frases soltas e efeitos sonoros (entre outros tantos, também na voz de Selma), é o ponto alto de criatividade do álbum.
“Panair do Brasil†é instrumental e a antepenúltima faixa, com cara de praia havaiana. O título remete à uma das pioneiras companhias aéreas do Brasil. Mas, nesse caso, melhor nem falar de aviões atualmente.
“O inesperado†já de cara mostra uma combinação de pedais com sons e ecos legais, além de uh uh uhs que caíram bem atrás do voz do Gabriel.
A derradeira “Guitarrada†é a própria essência de seu nome. Depois de ligado o motor, a música é praticamente instrumental, de uma “guitarrada†intensa, faz tipo uma apresentação do trio e deixa um clima de partida no final: “felicidade e prazer!â€.

Pronto, as doze músicas foram e você nem viu. O quarto de estúdio dos Autoramas surge depois de 4 anos sem um disco de inéditas, ao mesmo tempo em que chega para consolidá-los como uma das bandas brasileiras atuais “que realmente importamâ€. Assim, devem continuar com um pé no mainstream – pelo alto respeito nos festivais nacionais e um grande e fiel público no exterior (já vendeu 40 mil cópias lá fora) - e outro pé no cenário independente, de onde o grupo nunca saiu.

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