Presente descuidado: Futuro ameaçado
José Sebastião da Costa*
Segundo a BÃblia, Deus criou o mundo e depois criou o homem à sua imagem e semelhança e a ele deu tudo que havia criado. Deu-lhe toda a erva de semente que existe sobre a face e toda a árvore que produz fruto com semente para servirem de alimento. E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu e a todos os seres vivos que rastejam sobre a terra, e os vegetais para alimento. E Deus viu tudo quanto havia feito e achou que estava muito bom.
Para os antigos gregos, de acordo com o poeta HesÃodo, Gaia a Terra surge do Caos, do espaço aberto, a pura extensão ilimitada o abismo sem fundo. Gaia aparece como a primeira realidade sólida limitando o Caos dando-lhes um sentido. Depois vem a Noite e abaixo da Terra fez-se o Érebo, morada das sombras. O espaço vazio entre a Terra e o Érebo foi preenchido por Urano, criado por Gaia igual a si mesma, e que era capaz de cobri-la inteira. Eros, o Amor Universal dá à criação o toque final, unindo Gaia a Urano que vieram a gerar muitos e muitos filhos. Uma raça violenta provou a Terra e animou-a de uma nova forma de vida.
Para a ciência, a Terra é resultado de uma explosão cósmica, o Big-Bang, e surgiu à cercade 4,6 bilhões de anos. O homem, parte de uma cadeia evolutiva de um verme aquático de uma única célula, tornou-se um vertebrado ainda na forma de peixe há 500 milhões de anos. Transformou-se em mamÃfero e foi gestado no útero materno pela primeira vez 195 milhões de anos atrás. Chegou à forma de primata há 80 milhões de anos, ganhou “status†de espécie própria há 3 milhões de anos e até 600 mil anos atrás não se diferenciava em praticamente nada dos outros animais. Com a descoberta do fogo e o manejo de toscos utensÃlios de pedra ganhou uma vantagem estratégica na cadeia alimentar em relação a seus contemporâneos.
Seja qual for à explicação para o surgimento da Terra e da vida sobre ela, a verdade é que a espécie humana, em relação à s outras espécies animais, tornou-se superior com o tempo, e passou a dominá-los. Por volta de 10 mil anos atrás o homem descobriu que podia produzir seu próprio alimento através da agricultura e da domesticação dos animais. Até então, ainda vivia integrado à natureza sem causar-lhe prejuÃzo.
Há pouco mais de 150 anos, sua capacidade de produção foi multiplicada devido a Revolução Industrial que colocou à sua disposição equipamentos cada vez mais sofisticados, e, por conta disso, exigiu uma exploração cada vez maior de recursos naturais não renováveis como carvão, petróleo, ferro etc... A partir de então a exploração econômica do meio ambiente passa a ser feita de forma predatória, sem qualquer preocupação com as causas e efeitos dessa prática sobre o meio ambiente sobre sua própria saúde e bem-estar.
Após Segunda Guerra Mundial, a degradação ambiental provocada pelo novo modelo de desenvolvimento predador, aumentou assustadoramente, e começou a assustar a humanidade, sobretudo as populações dos paÃses mais desenvolvidos, maiores devastadores da natureza e da própria espécie, constantemente ameaçada pela utilização de armas sofisticadas em seus confrontos pela disputa de poder ou por questões raciais.
Chegamos ao novo milênio com uma ameaça ao futuro da humanidade ocasionada, indiscutivelmente pela ambição desenfreada e pelo arfa do lucro, principal caracterÃstica das sociedades capitalistas que não hesitaram em atacar incansavelmente o meio ambiente causando verdadeiras catástrofes ecológicas. De acordo com Santos o planeta perdeu cerca de um terço de sua cobertura florestal, nos últimos 50 anos sem contar o direito das empresas multinacionais em abater 12 milhões de hectares da floresta amazônica e da falta de água potável que hoje atinge um quinto da humanidade.
Por conta de uma desenvolvimento que prioriza o acúmulo de riquezas em detrimento das condições materiais de vida, assistimos, na atualidade, um desnÃvel assustador com relação aos paÃses industrializados quando comparados à queles que ainda estão procurando o caminho do desenvolvimento.
São estes paÃses os responsáveis pelo consumo de uma imensa fatia dos recursos naturais e pela produção de uma considerável poluição a qual causa sérios prejuÃzos à natureza e, conseqüentemente, à população do planeta. Os paÃses que hoje compõem o chamado Primeiro Mundo, foram, sem sombra de dúvida, os maiores causadores dessa ameaça ao meio ambiente, pois em busca do seu desenvolvimento não pouparam florestas, solo e subsolo dos paÃses que compõem o chamado Terceiro Mundo, que foram, em sua maioria, colônias dos desenvolvidos.
Terra, mar e ar estão ameaçados e sofrem com a contaminação provocada pelo lixo atômico, por todos os tipos de gazes emitidos pelas indústrias e automóveis: pelas erosões e devastação indiscriminada de florestas. A camada de ozônio que protege o planeta está ameaçada, a porção de solo disponÃvel para produção de grãos responsáveis pelo alimento diminui, o clima e o ciclo da chuva sofrem bruscas mudanças, ocasionando verdadeiros desastres ecológicos.
Por conta de toda essa atitude irresponsável no que tange à preservação ambiental, são criados, no mundo, muitos movimentos de defesa do meio ambiental, são criados, no mundo, muitos movimentos de defesa do meio ambiente. Governos e entidades não governamentais procuram traçar polÃticas ambientais com vistas a atenuar os impactos que foram provocados no meio ambiente ao longo dos muitos anos de devastação desenfreada.
Associado à poluição, o mundo assiste hoje a um crescente aumento da fome, da miséria e da violência, principalmente nos paÃses pobres que sofrem as conseqüências do desenvolvimento desenfreado dos paÃses ricos. Associado a isso o fantasma da superpopulação traz consigo problemas que vão desde a falta de água potável e ploriferação de endemias e epidemias, até a falta de serviços básicos como a coleta de lixo que quando não reciclável deveria ser tratado.
Cresce também a dÃvida social mundial, agravada pela dÃvida externa dos paÃses mais pobres, é cada vez maior o número dos sem-terras, de crianças abandonadas e famintas. Cresce a violência urbana, que vem cada vez mais se sofisticando no seu processo de atuação além do aumento do preconceito racial entre negros e brancos e do anti-semitismo. Associando-se a todo esse quadro o fechamento para a entrada de imigrantes por parte de paÃses como a França, Alemanha, Estados Unidos e outros.
Problemas como os que foram expostos demonstram que o barco planetário esta navegando quase que à deriva, ou guiado por prioridades equivocadas. Sua rota precisa ser urgentemente desviada, e para tanto, é preciso empunhar o leme com firmeza e decisão lembrando sempre que fica difÃcil pensar em preservação ambiental sem se promover uma justa distribuição de renda para que as populações dos paÃses pobres possam ter acesso à informação e à s condições necessárias para lutarem junto com o resto do mundo pela proteção e preservação do planeta.
*Pedagogo graduado pela Universidade Estadual de Feira de Santana- UEFS, pós graduado em Metodologia do Ensino Pesquisa e Extensão em Educação pela Universidade do Estado da Bahia _ UNEB, professor do Ensino Médio do Colégio Estadual Joaquim Inácio de Carvalho (irará-Ba), Diretor Pedagógico da Secretaria Municipal De Educação do municÃpio de Irará.
REFERÊNCIAS:
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. Professor de Pré Escola. Fundação Roberto Marinho. Rio de Janeiro: FAE, 1991, p.3
DECOL, René e DIEGUEZ, Flávio. A bomba relógio da superpopulação. Super Interessante. São Paulo (5) Ano 6. maio de 1993 p.24 - 29.
FRARE, José Luiz. A vida pede uma chance. Nova Escola. São Paulo (55) ano VII, março de 1992. p. 10 - 17.
NUNES, Edelci et alii. A fome na atualidade: Cenário mundial. São Paulo. Scipione - 1994
__________ Poluentes atmosféricos - Ponto de apoio. São Paulo. Scipione. 1994
SANTOS, Boaventura de Souza. CrÃtica da razão indocente.
Sebastião, tudo bem?
Jóia seu texto, mas lembre que a proposta do Overmundo é falar de cultura de modo mais especÃfico. Que tal no próximo texto vc falar um pouco mais da cultura de Irará?
abçs
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