Desde 1999 que não dá outra em Curitiba: chega o carnaval e uma turba de topetudos vestidos de um jeito diferente invade a cidade. Eles não estão em busca de samba, nem da tranqüilidade da cidade que já foi conhecida como capital ecológica. O que eles querem é barulho, muito barulho. E nisso o Psycho Carnival, festival de psychobilly, produzido pelo pessoal da banda Os Catalépticos, tem lhes saciado oferecendo atrações nacionais e internacionais.
Este ano será nos hoje, amanhã e segunda no Jokers Pub, com direito a um verdadeiro Ãcone do estilo, a holandesa Batmobile, que tocará com exclusividade em Curitiba. Também é da Holanda a outra atração internacional, Cenobites, no Brasil pela terceira vez. Tocam ainda as brasileiras Os Catalépticos, Ovos Presley, Chernobillies, Voodoo Stompers, Sick Sick Sinners e Scary Scums. A única notÃcia triste é o fim d?Os Catalépticos, a banda dos organizadores do festival e uma catalisadora do revival que o estilo vem vivendo nos últimos sete anos, e que faz seu último show na mostra.
Para se ter uma idéia do prestÃgio do evento, já tinha excursão fechada de São Paulo para o festival desde o final do ano passado. Fãs de Londrina, Rio de Janeiro e Belo Horizonte também já davam notÃcias dos preparativos. Além dos shows, haverá a exibição do documentário Psycho attack Brasil, exposição de fotos e cartazes das edições anteriores e uma feira de acessórios, roupas e CDs. A organização do festival, além de fazer parte da Campanha de Preservação de Florestas com Araucária, arrecadará alimentos não perecÃveis, para posterior doação ao Instituto Pró-Cidadania de Curitiba.
Tudo começou, conta Vlad Urban, um dos mentores da empreitada e o cara que comanda a correria para viabilizar a história, porque Os Catalépticos viajavam muito para o exterior, fazendo bandas amigas. Uma delas quis fazer o caminho de volta. O trio, que já andava com umas idéias de fazer um festival nos moldes do que via no estrangeiro mandou ver e pariu o Psycho Carnival - ainda não no carnaval, mas já com uma participação internacional, da francesa Skatfiles.
Desde a primeira edição houve público garantido muito por conta da atuação d?Os Catalépticos, que já era uma banda com história forte, e acostumada a pegar pesado para produzir seus shows e turnês. Daà para fincar a data em pleno carnaval, numa cidade que não tem tradição na festa, foi um pulinho. ?Facilita ser um feriado prolongado e é numa época em que a cidade fica meio vazia. A gente acaba movimentando economicamente, também?, avalia Vlad. Mas ele faz questão de dizer que não existe aà nenhuma retaliação à s festas do momo. ?Ao contrário, gosto de samba e do clima de carnaval. Só achamos que é possÃvel ter também outras atrações, já que a cidade parece não ter vocação para grandes festejos?, pontua.
Tem sido uma trabalheira - que vale o esforço. A banda curitibana e suas produções são hoje uma referência sempre citada como grande causadora do revival em torno do psychobilly que se alastrou pelo Brasil e deu mais fama à trupe que produz ainda o Psychobilly Fest e um programa de rádio, o Transilvânia.
?Os Catalépticos sempre tiveram isso de trabalhar em prol da cena, de produzir para aumentar o público. Acho que por isso as pessoas falam que existe o antes e o depois da banda. Nós popularizamos o psycho não só para o seu público como para quem não conhecia. Hoje a banda aglutina e reúne metaleiros e punks?, analisa sua trajetória o músico.
O começo
Quando o grupo decidiu fazer o Psycho Carnival, também produzia o Grito Punk e chegou a organizar os dois festivais ao mesmo tempo. "Era muita coisa para cuidar", lembra Vlad. Pode soar contraditório, mas ele garante que era mais fácil fazer festivais naquele final de milênio. Mas o que era só ?colocar as bandas para tocar?, nas palavras dele, repercutiu e trouxe mais responsabilidades. ?Trazer gente do exterior vai complicando as coisas?, explica o músico-produtor, que passa muitas e muitas horas em frente de computador e telefones para acertar passagens, hospedagens, alimentação, equipamento de som, divulgação, e o mais complicado, patrocÃnios e apoios. Enfim... dá uma canseira.
Tudo para continuar apostando na formação de público. ?Quando a gente encara uma empreitada como esta, fazendo dois festivais, selo independente, viajando e se produzindo, é fácil notar que tem pessoas com a gente desde o começo e é isso que faz a cena continuar?, diz.
Agora é hora de outro passo. Vlad está disposto a ir em busca de apoios via renúncia fiscal. ?De 2002 para cá, fomos vendo que é preciso patrocÃnios. Não sei como é para outros festivais, mas é complicado fechar apoio para um internacional, em Curitiba. Não faz parte da cultura das empresas apoiar festivais de rock em geral. Trazer banda de fora, não sei se garante a atenção porque não são artistas conhecidos?, pontua.
Contando com pequenos apoios, esta será mais uma edição em que a produção estará nas mãos da bilheteria. Se não tiver um número razoável de pagantes, Urban pode arcar com o prejuÃzo. Mas ele está otimista. ?Por incrÃvel que pareça quem mais apóia a cena psycho é a própria cena psycho. Através de stands, das amizades do circuito que acabam virando os pequenos apoios, que no final das contas são os que nunca falham. E a internet, com as comunidades psycho e tal?, explica ele.
Movimento
Psychobilly é um estilo musical que surgiu no final dos anos 70 na Inglaterra e Estados Unidos. Com o passar dos anos tornou-se um modo de vida e arrebanhou adeptos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Além da música, fazem parte da cultura psychobilly as historias em quadrinhos, o cinema, moda, carros antigos e toda a estética dos anos 50.
Serviço:
O que: Psycho Carnival. Quando: dias 25, 26 e 27 de fevereiro. Onde: Jokers Pub (R. São Francisco, 164), em Curitiba. Informações: (41) 9202-4100, (41) 324-2351, ou no site www.psychobilly.com.br.
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