Ou Os maus tratos aos animais nas festas populares
Existem mundo afora várias manifestações populares, enraizadas na cultura há séculos, cujos personagens principais são animais (em carne e osso!), sujeitos aos mais diversos tipos de tortura e morte. O que dizer da afamada Festa de San FermÃn, em Pamplona, Espanha, quando touros são soltos nas ruas e correm desesperadamente, fugindo da turba enlouquecida, até serem humilhados nas arenas? E parece que a Espanha tem algum problema coletivo com os touros, porque é de lá que vem um dos espetáculos mais deploráveis com esses animais – as famosas touradas - , quando eles são colocados nas arenas das majestosas “plazas de toros†para serem mortos ao final, após, claro, passarem por requintes de crueldade dignos dos nazistas na Segunda Guerra.
Mas não satisfeitos, os espanhóis trouxeram outro espetáculo de sangue para as Américas e que hoje faz a festa de diversos povos latino-americanos, inclusive brasileiros: as brigas de galo. Embora proibidas por decreto, as rinhas multiplicam-se clandestinamente, aos montes, pelo paÃs.
Não pensem que esse “post†é um manifesto contra os espanhóis, porém, por coincidência, todas essas manifestações têm, de alguma forma, a participação desse povo. Mas o que eu queria ressaltar nessa matéria são três festas populares que me incomodam profundamente (não que as outras também não sejam deprimentes e não incomodem!) e que ultrapassam as fronteiras geográficas e os limites do bom-senso, parecendo que cada região do paÃs tem a sua representante de maldade animal: as vaquejadas no Nordeste, os rodeios no Sudeste e Sul, e a terrÃvel farra do boi, que envergonha a Santa e Bela Catarina.
Vá lá que antigamente, se fizessem sacrifÃcios e não-sei-mais-o-quê com os bichos, mas hoje em dia, com a evolução dos conceitos e do pensamento, e a mudança de valores da humanidade, não se admite que animais sejam submetidos a torturas e maus tratos para o deleite do homem.
Além dos maus tratos, pelo menos duas dessas festas (a vaquejada e o rodeio) trazem consigo o mau-gosto. Sim, porque fora o fato de torturar os animais (cavalos, touros, bois, vacas e bezerros) com apetrechos que lhes apertam os testÃculos e virilhas (nos machos do rodeio), quebra de rabos e membros que obrigam ao sacrifÃcio do animal (na vaquejada, pelo menos); seus personagens (humanos) ainda nos torturam, adaptando o “american way of life†ao visual country-sertanejo fake, nas músicas que compõem a trÃade sertanejo de araque-brega-forró eletrônico, nos carros possantes e nos milhões de reais dos prêmios. Não vou nem falar do comportamento dessa gente, pois daria um tratado psico-sociológico. Valei-me minha Nossa Senhora Aparecida!
Mas talvez a mais desumana dessas manifestações seja a Farra do Boi, que ocorre em diversas cidades do litoral de Santa Catarina, na época da Quaresma. Dizem que foram proibidas, mas inúmeras farras clandestinas ainda ocorrem no Estado. Todos os anos centenas de animais são torturados e mortos, por uma multidão munida de paus, facas, pedra, cordas, etc. Às vezes, o boi desesperado corre para o mar, se afogando. Já vi vÃdeos nos quais os animais são perseguidos e acuados, num desespero que se percebe em seu olhar. Segundo dados da World Society for Protection of Animals do Brasil, o povo chega ao cúmulo de banhar o animal com gasolina e tocar fogo; quebra chifres, rabos e patas; os bois são esfaqueados; pimenta é jogada nos olhos, que são depois arrancados; e assim a barbárie segue por três dias. É pra ficar sem palavras!
Abro aqui um parêntese no final para ressaltar que a utilização de animais em folguedos populares nem sempre se dá de forma desumana, como nos exemplos anteriores, prova disso são as maravilhosas Cavalhadas do Brasil Central. Mas isso é outro assunto.
Josué, concordo e me irmano com você na indignação a respeito deste tema. É vergonhoso!
Roberta Tum · Palmas, TO 18/4/2007 10:04
O primitivismo de certas manifestações populares é realmente aterrador e é doloroso constatar que existam pessoas capazes de tamanha crueldade.
Mais grave ainda é quando esses rituais dantescos são institucionalizados, como no caso da Espanha, com as touradas, e mesmo do Rio Grande do Sul, com os deploráveis rodeios. E o que dizer dos sacrifÃcios religiosos?
Por isso, é tão importante que a sociedade civil se mobilize contra esses disparates.
Teu artigo foi excelente e necessário, Josué.
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