“A praça Roosevelt, no centro da cidade de São Paulo, foi mais uma vez palco de baderna na tarde do desse dia quatro, quando durante atuação da Guarda Municipal skatistas deram inÃcio a um tumulto generalizado. Foi necessário chamar reforço e os agentes se viram obrigados a usar spray de pimenta para controlar a situação. Tudo quando um homem imobilizou um dos ocupantes da praça, após ter recebido uma pedrada quando passava pela área.â€
O trecho acima pode parecer apenas um recorte qualquer de um jornal qualquer. Afinal, não tem nada de novo ali: alguns marginais quiseram atrapalhar a ação da santÃssima força policial paulistana e receberam sua punição na forma de um spray de pimenta direto na cara. Felizmente, as coisas não são tão simples.
Um vÃdeo que foi postado durante o dia de hoje (06/01/2013) mostra o que realmente aconteceu. A gravação começa abrupta, com um policial sem farda estrangulando um skatistas, tudo sob os olhos indiferentes de cerca de três agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana). Quem estava por ali ficou indignado com o abuso e não fez questão de esconder isso. Pouco tempo depois o agressor liberta a vÃtima. enquanto outra policial – sem nenhuma justificativa aparente – dispara seu spray de pimenta contra todos que testemunhavam o ocorrido.
A gravação então é cortada por um instante. Quando volta, traz o depoimento do próprio autor do vÃdeo, com os velhos e cheios d'água, graças ao despreparo pungente da Guarda Civil. Ele comenta: “(...)é isso aÃ, spray de pimenta. GCM está se achando no dever de tirar a gente daqui da Roosevelt porque a gente está andando de skate. Jogaram spray de pimenta em todo mundo e ainda enforcaram meu amigo ali, sem motivo nenhum.â€
Ainda não satisfeito, o policial que seguia sem farda e muito provavelmente seguirá também sem preparo, aborda o rapaz enquanto ele grava o vÃdeo. Obviamente desequilibrado, ele despeja uma uma avalanche de palavras de baixo calão para intimidar o usuário da praça, enquanto ordena que ele saia do local.
O diagnóstico é claro: o poder executivo se tornou poder executor. Uma relação que se baseia ao mesmo tempo na confiança e no medo é no mÃnimo confusa – pra não dizer impossÃvel. E episódios como esse servem apenas para complicar a já complicadÃssima relação da sociedade com a polÃcia. Mas a solução para essa questão de traços quase freudianos não virá através de um terapeuta.
Virá, na verdade, através de mais episódios como este. Abusos por parte da polÃcia são recorrentes, muitas vezes ultrapassando todos os limites do bom-senso – principalmente em se tratando de esferas marginalizadas da população. Porém o avanço das tecnologias de comunicação torna a divulgação de ações anti-democráticas – que hoje se tornaram rotineiras – algo muito mais viável. Se apresenta dessa forma como a principal forma de fiscalização da força policial pelo povo.
Este ano que começou provavelmente não será o ano que marca o nascimento dessa nova força policial. Mais provável ainda é que o número de crimes cometidos por aqueles que deveriam evitá-los continuará o mesmo. O que vai mudar será a quantidade de evidências irrefutáveis de incompetência que virão à tona – um skatista estrangulado de cada vez.
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!