Movimento pelo Cine-Belas Artes terá Audiência

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afonsojunior · São Paulo, SP
3/3/2011 · 2 · 0
 


Entidades chamam debate sobre sociabilização urbana

O Movimento pelo Belas Artes, que defende a preservação do cinema localizado na esquina da Av. Paulista com a Av. Consolação, na capital, convocou Audiência Pública através do vereador Eliseu Gabriel (PSB). A audiência está marcada para o dia 16 de março, 19h, na Câmara Municipal de São Paulo.
O prédio tem essa função desde 1943 e, segundo os membros do movimento, colabora com a defesa da diversidade cultural, com a formação intelectual da população, além de servir como local de sociabilização urbana em uma metrópole cada vez mais complexa.

Entidades como o Instituto de Pesquisa e Ação Via Cultural e a APACI (Associação Paulista de Cineastas), ABD - Associação Paulista de Documentaristas São Paulo e CEBEC - Conselho Brasileiro de Entidades Culturais, que participam do Movimento, também enfatizam a função de democratização da cultura promovida pelo cinema através de seu Cine Clube, a importância da revitalização das áreas centrais e do combate à violência através da mobilidade urbana(os famosos "Noitões", por exemplo, lotam os cinemas durante a madrugada).

Um dos abaixo-assinados em circulação já conta com 16 mil assinaturas. Blogs têm surgido na internet para tentar evitar o fechamento, entre eles querobelasartes.blogspot.com/. Mais de 70 mil jovens apoiam a causa no Facebook.

Muitas pessoas têm enviado manifestações ao prefeito pela desapropriação do local por meio do site da prefeitura - gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br

O fechamento foi anunciado para dia 10 de março.

Lista: http://br.groups.yahoo.com/group/querobelasartesaqui/


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CARTA ABERTA PELO BELAS ARTES- SAMPA

Olá Flávio Maluf:

Como vai? Meu nome é Afonso Jr. Ferreira de Lima, sou um escritor, o que significa, hoje, basicamente, ser louco o bastante para dizer o que não se deveria, como ?todo mundo fracassa?, ?eu me dei mal?, ?uma moeda sempre tem dois lados?. Nesta semana falei com um amigo meu, que parecia arrasado: sua voz quase não saía. ?Vão fechar o cinema?, ele disse.

Então fiquei tentando animá-lo (o que é um cinema, afinal?) e percebi: eu também estava arrasado. Porque talvez essa cidade não seja apenas um monte cimento, de carros, ?salve-se quem puder? e ?seja homem?! Quando eu estou exausto, quando quero lembrar que temos emoções humanas, quando quero conhecer outras pessoas e sair de minha casquinha: eu vou ao cinema!

Lá eu conheci como somos esquisitos com Medos Privados, vi o quanto estamos sozinhos e podemos nos conhecer, com Um dia muito especial, descobri que o amor é mais do que sabemos e tudo bem com Jules e Jim. Conheci Paris com Paris, tive medo de nós com Ensaio sobre a Cegueira, e chorei com Não Matarás, onde se mata um jovem que luta para viver!

Então percebi que nós, como humanos, precisamos aprender com os outros. Nada acontece como queremos, e nossos amigos nos dizem que estamos errados. Eles podem ser Shakespeare, Quixote, Ingmar Bergman.
Se a violência é nosso pão de cada dia, deve-se também ao fato de termos nos tornado pedra. Sem memória, sem uma história para contar, sem orelhas. A cidade não pode parar (especulação imobiliária é isso), mesmo fechada na garagem. Não precisamos ser nada além do que somos, precisamos sim fazer parte. Descobrir o que somos. Para que(m). Vencer o medo. Vamos falar somente através dos negócios e do sexo? Grana nenhuma pode comprar o que ser generoso gera, ligações, sorrisos.

No mundo do caos, as histórias nos lembram de que somos assim, estamos sozinhos e somos iguais. Conheci pessoas milionárias o bastante para saber que o dinheiro pode ajudar você a se destruir se não for uma pessoa feliz. Muitas coisas boas estão dentro de todos nós, mas precisamos vê-las para que elas saiam. Meu amigo triste pode conhecer novas coisas. Mas é bom ficarmos com as que conhecemos, mesmo sabendo que tudo flui. Você é um homem livre, apenas lembre que queremos você na cidade, porque só vivendo juntos seremos alguma coisa. E o cinema é parte disso.

Afonso Jr. Lima - historiador, escritor

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