Raul Seixas nasceu manhã do dia 28 de junho de 1945, na cidade de Salvador, capital da Bahia. Autodeclarado filho do pós-guerra, ele cresceu sob a influência do modo de vida propagado pelo vindouro movimento contracultural. O chamado desbunde, longe de ser uma simples alienação naqueles anos de chumbo, foi uma atitude intempestiva e marginal que transgredia as normas sociais e políticas então vigentes. Contra as atitudes beligerantes do sistema, curtição e ações pacíficas.
Atento às tensões políticas e socioculturais de seu tempo, um esperançoso compositor oferecia ao público a promessa de superação do sofrimento imposto pelo autoritarismo dos anos de chumbo. Diante das dificuldades de mudar os pressupostos sociais e políticos que geram a barbárie, sua arte assumiu como principal meta a formação de indivíduos autônomos, autocríticos e com vínculos sociais, eliminando, no que têm de fundamental, as condições que geram a alienação e a violência. Todavia, uma proposta política concreta estava ausente.
Não podemos esquecer que o artista, autodeclarado “mosca na sopa”, primava por uma proposta estética e política que apresenta a arte como divertimento, gozo, celebração, paixão, sempre à margem dos valores dominantes, caretas e opressores. Sua limitada resistência política se dava por essa via.
65 anos após o seu nascimento e duas décadas depois de sua morte, a obra de Raul Seixas permanece importante por sua força imaginativa, utópica, por sua expressão e percepção dos problemas políticos, sociais e existenciais que permeiam a vida contemporânea.
Em 21 de agosto de 1989, dois dias após o lançamento do LP A Panela do Diabo e cinco dias depois do maior eclipse lunar do século XX, Raul Seixas faleceu de parada cardiorrespiratória provocada por pancreatite crônica e hipoglicemia. A governanta Dalva Borges foi a primeira a encontrá-lo em seu apartamento na Rua Frei Caneca, em São Paulo. O corpo do compositor foi velado no Palácio das Convenções do Anhembi, na capital paulista, para onde uma multidão convergiu a fim de lhe prestar as últimas homenagens. Os fãs tornaram-se órfãos de utopia.
Hoje, o grande desafio de todos aqueles que, seguindo as idéias de Raul Seixas, sonham e lutam por ideais utópicos que se mostraram inalcançáveis, será a dedicação a novos ideais, à descoberta de novos caminhos, pois sonho que se sonha junto é realidade, já dizia o compositor na canção “Prelúdio”, do LP “Gita”, de 1974.
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