Leio no jornal: Correção “Homem mata mãe e adolescente no CEâ€. Com uma esperança à beira da morte, chego até a nota de correção da matéria. A única coisa ‘errata’ no texto é a idade do assassino. Em vez de 48, o individuo tem oito anos a menos de vida(?). Inclusive, deve ter dezenas de parafusos também em déficit. Coração, então, nem se fala.
Um dos caras mais entendidos de jornalismo que passou por essas terras tão injustas pela própria natureza dos seus colonizadores - vide Sérgio Buarque- foi o insubstituÃvel Raul Seixas. Note: “todo jornal que eu leio diz que a gente já era, que não há mais primaveraâ€.
Os critérios de noticiabilidade, dizem, dentre outras coisas, que para um fato ganhar a atenção jornalÃstica precisa encaixar-se no inusitado, no relevante... A justificativa é que os acontecimentos pertencentes a esses critérios prendem a atenção do receptor. Exemplo, o aumento do salário mÃnimo.
Mas algo de deixar um otimista de cara no chão, é a quantidade de tragédias vendida nos jornais. Em nem precisa chegar à casa das centenas, como no caso da TAM.
Gente morta vende jornal. As famÃlias das vÃtimas deveriam processar tais veÃculos que insistem em noticiar a tragédia alheia. Afinal, não deve ser nada amenizante ver sua dor exposta em manchetes, à s vezes, mundo afora. No mÃnimo, deveriam negar informações. Silenciar.
E o professor de jornalismo segue: “ eu não preciso ler jornais, mentir sozinho eu sou capazâ€. Raul, se vivo fosse, deveria ler o blog de Luis Carlos Azenha. O repórter global prova a sabedoria do cantor. Em seu desabafo eletrônico, Azenha escreve que “nem tudo que o leitor vê é TUDO ou EXATAMENTE o que pareceâ€.
Aonde o jornalismo vai parar? Será que restam apenas essas duas alternativas: a desgraça lucrativa e a distorção que se esconde atrás de uma veracidade maquiada?
Mas, esperançoso que sou, fico com aquela parte da música Cachorro Urubu que diz “ a gente ainda nem começouâ€. Viva o professor Raul!
Ótimo. Ótimo!! Já vi que você também é "maluco beleza"! Hoje, a gente pega no jornal e suja a mão de sangue. Não respeitam o horário de refeição das pessoas, pois é nessa hora que os telejornais vão ao ar. Não querem saber se tem criança na sala, familiares das vÃtimas etc. Ainda por cima, nas notÃcias que envolvem os criminosos comuns (aqueles que metem a mão na massa, literalmente), só se ouvem as versões oficial e editorial. Falam logo em redução da menoridade penal, da construção de presÃdios, de impunidade. Nos crimes de colarinho branco, sujeitos ficam passeando na mÃdia com a maior cara de paisagem. Dando de ombros pra sociedade. Pra quem tem dinheiro, fica fácil. Enquanto isso, as notÃcias vão passando. Como nos quadrinhos, ao virar a página, começa-se outra história, sem conexão nenhuma com a anterior. Fragmentos de notÃcias que, pelo sensacionalismo, fácil de fixar na mente pelas imagens, pautam as conversas nos ônibus, salões-de-beleza, padarias etc. E assim, pela TV, as pessoas acreditam estar informadas. "Quando acabar, o maluco sou eu!" Fui!
Um abraço...
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!