O mais importante pólo de teatro de São Paulo, a praça Roosevelt, no centro, com seus cinco palcos, personifica a turbulenta vida cultural paulistana - e a inesperada noite de espetáculos da cidade que oscila entre frustração e contentamento. Quando se frenquenta o local de segunda a quinta-feira – dias da semana em que a maior metrópole brasileira exibe com mais clareza as suas facetas – isso fica mais evidente.
A peça “Dançando no chafariz com Valentinâ€, na segunda semana de estréia, não foi encenada na segunda-feira (2/2), no Satyros 1 – a única em cartaz nesse dia da semana no local. Segundo o teatro, por problemas técnicos. Chovia cântaros nessa data em São Paulo.
No bar ao lado, pelo menos 20 pessoas conversavam alegremente. Em um determinado momento, uma garçonete passou a reclamar de dor nas costas para alguns frequentadores. Disse que na quinta-feira anterior sonhou que estava deitada em um caixão e uma mulher a puxava para fora do ataúde pelo pescoço – motivo que, segundo ela, a deixou com dor lombar. Alguns presentes se distraÃram com a história. O personagem criado por ela virou a peça do dia.
Na terça-feira (3/2) pôde se assistir “Dançando no chafariz com Valentinâ€, adaptação de textos do autor alemão Karl Valentin. A peça apresenta dois jovens esforçados atores, que fazem relações das caracterÃsticas da fonte de água com a vida. No público de 13 pessoas, 11 também jovens assistiam o trabalho. A peça durou 25 minutos. Apesar dos atores terem se despedido do público, todos permaneceram sentados aguardando o próximo ato. Mas não havia mais um novo acontecimento teatral. Foi preciso uma voz no fundo do teatro dar “boa noite†para que as pessoas se levantassem. Atônitos, alguns perguntavam na saÃda o porquê de uma apresentação tão curta.
No dia seguinte (4/2), Dinah Perry e Paulo Goulart Filho encenaram “A noite do meu bemâ€, no Parlapatões. Um público de 19 pessoas estava lá para ver uma representação teatral livre da composição de Dolores Duran, samba-canção “dor de cotoveloâ€. O trabalho não poderia ser diferente: a peça envolve traição e amor vagabundo. A interpretação é melhor do que o texto e seu batido tema. O espetáculo convence, mas a platéia não chega a sair entusiasmada do teatro.
Na quinta-feira (5/2), reestréia de “A filosofia na alcovaâ€, a partir da obra de Marquês de Sade, no Satyrus 2. Aliás, não foi bem reestréia. Dois atores foram substituÃdos e, por conta disso, fez se ensaio geral aberto (melhor dizendo, gratuito para o público – 16 pessoas estavam presentes, sendo que uma parte ligada à companhia de teatro em cena). A estréia real ficaria para o dia seguinte, avisaram. A surpresa valeu a pena. Ouve apenas uma retificação durante o ensaio técnico, com o trecho da falha devidamente reapresentada. Boa peça, bons figurinos e cenário e interpretações cativantes. Porém, espetáculo proibidÃssimo para menores de 18 anos. A peça mostra teorias e práticas de libertinagem.
Chega o final de semana. As ruas de São Paulo passam também a receber o público em que a vida noturna se resume de sexta-feira a domingo. A cidade ganha em movimento. E os teatros da praça Roosevelt finalmente conquistam uma boa platéia. No entanto, continuam as incertezas e tudo pode acontecer entre decepção e satisfação. Um retrato que se estende pela agitada vida cultural paulistana.
Que bacana, Augusto! Essa cena de teatro na praça Roosevelt é realmente muito bem falada. Muito legal conhecer mais pelo seu olhar... Abraço!
Thiago Camelo · Rio de Janeiro, RJ 6/2/2009 12:07Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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