Adorar amores que besam e se van faz parte do que comummente se chama de vida real. Amar as expressões da cultura popular, do congado a Guimarães rosa é o que comummente se chama politicamente correto.
Pois bem. Sou um romântico adorador da cultura erudita e da cultura pop criativa.
A cultura popular de um país de analfabetos não me interessa. Eu não estudei filosofia nem fiz meia faculdade para ficar babando ovo de gente que não conhece os dilemas de uma vida sob a égide do niilismo e do existencialismo como metade da academia que busca força no popular esquecendo que a academia foi fundada para elevar o mundo à civilização.
Mesmo a industria cultural de massa, que faz produtos e não cultura quando usa um mínimo de cérebro como matéria prima tem coisas fantásticas que superam em muito a cultura popular.
Eu sou um filho bastardo do império ianque de uma relação incestuosa com a mãe Europa. E não tenho problemas com isso, nem pretendo me radicar brasileiro.
Não vou amar o amor dos marinheiros que besan e se van porque sou mais inglês que latino e odeio o carnaval e todos os mercados da carne.
E dane-se o calor tropical, eu gosto do frio inglês.
Publicado originalmente em http://descritor.blogspot.com/2007/11/sangue-ingls.html
Olá Cesar,
seus argumentos nesse postado me parecem tão equivocados qto os que vc usou no outro em que declara odiar a crônica. Nem ia deixar nenhum recado, mas fiquei pensando que o que vc quer, talvez, é provocar o leitor a se pronunciar. Então vamos lá: a separação que vc faz entre cultura popular e erudita é por demais etnocêntrica. Se vc puder dá uma lida na introdução de "O queijo e os vermes" de Carlo Ginzburg em que, a partir da idéia de circularidade cultural, ele mostra o equívoco que é conferir um estatuto de menos valia ao popular.
Guimarães Rosa que vc cita como representante da cultura popular (dizendo que é politicamente correto gostar de sua obra !?!?) é um marco da literatura brasileira. Sua obra foi marcada pela experiência do grande escritor com a cultura e os falares populares e regionais, mas além disso Rosa desenvolveu um magistral trabalho em que afasta a linguagem da literatura do poder ocidental da escrita, apresentando-a em sua relação intrínseca com o oral e o visual. Daí a inconsistência de sua argumentação.
Abç
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