Sem vergonha de ser maluco beleza

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Tati Magalhães · Maceió, AL
28/5/2006 · 43 · 0
 

Já faz parte do calendário carnavalesco local. Uma semana antes da festa de Momo, durante cerca de duas horas, eles desfilam pelas ruas do bairro do Farol e param a Fernandes Lima, a avenida mais movimentada da cidade. Acompanhados por um trio elétrico e a banda da Polícia Militar, as marchinhas e frevos empolgam o bloco de homens e mulheres que se dividem em alas, algumas com alegorias: tem até o bloco das donzelas, os homens que se fantasiam de mulher. Poderia ser apenas mais um bloco pré-carnavalesco, já que é nesya época que a folia acontece com mais força em Maceió. Mas não é qualquer bloco, é o Maluco Beleza, cujos foliões também não são quaisquer foliões: são pacientes do Hospital Escola Portugal Ramalho, instituição psiquiátrica que já se destaca nacionalmente pelo tratamento dado aos seus pacientes. E amanhã, a partir das 15h, essa turma estará novamente animando as ruas da capital alagoana, com irreverência, bom humor, simpatia, liberdade e, para dar mais colorido à avenida, com um carro alegórico.

?Só fica quem está acamado, porque até os de cadeira de rodas estão lá?, diverte-se João Neto, psicólogo que coordena o setor de recreação do Hospital. A brincadeira teve início em 1992, por sugestão de Amaral, um paciente já falecido. Inicialmente, a idéia gerou dúvidas quanto às suas possibilidades de concretização. Afinal, quem se responsabilizaria se algo desse errado, uma vez que o universo criado por parte daquelas pessoas não era aquele visto e sentido pela maioria dos que estão ?de fora?? Mas os mais entusiastas resolveram apostar e botaram o bloco na rua. Logo de cara, confeccionaram um boi, que se desmanchou na sua primeira apresentação. Mas o acontecimento não foi motivo de desânimo, pelo contrário.

?A gente não precisa de muito motivo para fazer festa, até porque a vida dessas pessoas já é algo muito triste?, ressalta João. No começo, os mais de 180 usuários (como são chamados aos pacientes que usufruem os serviços oferecidos pela instituição) desfilaram com caftas (camisões coloridos). Mas em 1995 já contavam com camisas do bloco. O psiquiatra Marcondes Costa tratou de compor uma música para animar e particularizar a festa. A coisa foi crescendo, e em 2005 já tiveram o apoio de um trio elétrico, o que vai se repetir este ano. Em novembro do ano passado, aliás, eles tiveram a festa de momo em versão indoor, fora de época. A inspiração veio da micareta maceioense, que deixou de desfilar pelas ruas da cidade e ganhou versão fechada. Os pacientes, claro, agradecem as iniciativas. Seja dentro ou fora dos muros, cantando, pulando, confeccionando fantasias ou enfeites. Porque afinal, o carnaval é do povo, é de todos nós, que mesmo limitados pela nossa ?sanidade?, também não temos vergonha de ser malucos beleza...

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