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Semeando a arte

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Eduardo EGS · Porto Alegre, RS
6/3/2006 · 84 · 2
 

Jovens de áreas carentes cuja relação com a escola é marcada por casos de furtos, brigas, venda de drogas, consumo de álcool e cigarro, depredações, entre outras situações. Tudo isso dentro do horário escolar. Pra piorar, o tempo livre é utilizado pra err... bem, as mesmas situações.

Se a descrição acima soa familiar é porque ocorre em vários lugares do Brasil, com algumas particularidades e muitas semelhanças. E foi pra auxiliar na mudança desse quadro que surgiu o projeto Oficinas da Paz, que prevê a realização de 120 oficinas, de março a junho de 2006. Durante os finais de semana, 22 escolas abertas vão receber atividades de cinco grandes áreas - música, dança, teatro, artes visuais e literatura - através de treinamentos gratuitos dados por 40 oficineiros de todo o estado, atingindo 2.400 pessoas. As oficinas são dirigidas a professores ou monitores de projetos de arte que já existem nas comunidades, pra capacitá-los como multiplicadores. Numa segunda etapa, essas pessoas treinadas vão trabalhar junto aos jovens.

A 'cultura da paz'

A estratégia de inclusão social através da abertura de escolas públicas nos finais de semana surgiu no programa Abrindo Espaços - Educação e Cultura para a Paz criado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2000 (veja no site). A partir daí, veio a solicitação da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul de promover a cultura pelo interior do Estado. E foi assim que o Oficinas da Paz nasceu. "Buscamos trabalhar esse jovem em situação de risco nos finais de semana, em que a ociosidade é evidente também por falta de condições financeiras de buscar lazer", conta o Rodrigo Cogo, assessor externo de Planejamento e Divulgação da Cida Assessoria de Eventos, empresa responsável pela concepção do projeto. "E justamente dentro da escola".

E é na crença de que as manifestações artísticas despertam a sensibilidade e permitem abrir novos horizontes pra esses jovens que o projeto se estrutura. Cidades de várias regiões do estado vão receber a visita de músicos, dançarinos, atores, artistas plásticos e escritores gaúchos comprometidos com a disseminação da "cultura da paz", ou seja, de um cotidiano de não-violência. "Ações como essa estimulam a tolerância, a convivência, o compartilhamento, quesitos imprescindíveis na construção de um mundo menos violento, em que o outro seja respeitado, considerado".

Nos projetos em que tem se envolvido, a Cida Assessoria de Eventos vem trabalhando a democratização do acesso à informação, com discussões e a valorização de artistas e produções feitas aqui no Rio Grande do Sul. "Acreditamos que desenvolvendo habilidades artísticas é possível originar novas reflexões, novas consciências e portanto novas atitudes nas pessoas envolvidas".

Projetos

Esses objetivos também podem ser percebidos em outras iniciativas culturais já realizadas pela empresa, como o projeto Lâmpada Mágica, que leva espetáculos teatrais pelo interior em comunidades muitas vezes realmente pequenas, a preços populares (R$ 3,00 a R$ 6,00) e oferecendo oficinas gratuitas com o elenco e a técnica das montagens. Além disso, é feita a doação da bilheteria arrecadada pra espaços culturais das cidades que sediam os espetáculos. Nesse mesmo formato, mas com shows musicais, o projeto Sonoras Energias promove a circulação de orquestras com solistas populares, que fazem a popularização da música erudita, sempre com entrada franca.

Ao promover a arte como ferramenta de integração, projetos como esses levam esperança a pessoas marginalizadas socialmente e a lugares marginalizados culturalmente. E como sempre nessas iniciativas, a persistência e a crença de que é possível transformar a realidade são fundamentais. "É como uma semente pequena e aparentemente frágil, mas que no decorrer dos dias pode germinar plantações. Afinal, o que seria da árvore se não fosse a semente?", filosofa Rodrigo. O que, de certa forma, faz todo o sentido.

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achr
 

Caro Eduardo!
Gostei muito do Projeto pelo que vi aqui.
Concordo com sua opinião. Só que em vejo que além de cultura essas comunidades (assim como a minha) precisam de projetos que gerem renda a população.
Iniciativas como esta são válidas, é claro, porém precisamos de projetos de geração de renda dentro dessas comunidades. Tem que ser algo, não que de, mas que ensine a buscar... mas o projeto é muito bom, pois antes esses jovens envolvidos em atividades culturais do que envolvidos com o crime.

achr · Porto Alegre, RS 8/4/2006 20:48
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Hermes Bernardi Jr.
 

Olá, Eduardo! Ano passado fui oficineiro de lietratura do referido projeto. Este ano novamente estarei atuando em cinco cidades e posso afirmar: o Projeto é muito bacana!

Hermes Bernardi Jr. · Porto Alegre, RS 11/4/2007 15:24
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