Alfaias, pandeiros e outros tantos instrumentos, muitos deles percussivos, juntaram-se à atuação performática do interprete Rogério Pile no espetáculo Negro é Lindo, apresentado no Aldeia do Velho Chico, mostra artÃstica com diversas linguagens, realizada este mês no SESC-Petrolina. O pocket show fez um passeio entre ritmos nordestinos como o samba de roda, o coco e o maracatu.
Trazendo ritmos historicamente ligados à temática negra, o show caminhou na direção das ações afirmativas da afro-descendência. "Mas não se trata de um show afro-brasileiro", alerta Pile, que nos falou da proximidade entre a música nordestina e a música africana, em especial das civilizações conguesa e iorubana.
Não por acaso, declarações como "ser negro é massa!" ou "eu sou negão!" podiam ser ouvidas na platéia que delirava ao som dos tambores, premissa básica quando se fala da dupla negritude e musicalidade.
A espontânea resposta da platéia demonstra como a produção cultural, que deve ser entendida como bem simbólico - ou seja, além de produto comercial - é portadora de elementos fundamentais na construção imagética que temos de nós mesmos e do outro.
A partir da percepção que temos da realidade e pelas referências criadas no campo artÃstico-cultural, teremos as construções identitárias formadas e transformadas por mediações como a música, cinema, entre outros.
Por isso, quando nos vemos, a partir do outro - o artista exaltado – sentimo-nos mais a vontades para a auto-afirmação. E assim, quase que sem perceber, o pocket show nos conduziu a uma reflexão do que somos. Enquanto isso, o coração batia no compasso dos tambores e o corpo dançava leve, como alma que agora se fazia enegrecida.
"negro é lindo" foi lindo... o aldeia também...
acho que entendi quando Pilé diz que o show não foi afro-brasileiro. outro dia eu estava num encontro de história oral e, numa palestra feita por um pesquisador cubano, ouvi ele dizer: "em cuba, nós entendemos o candomblé como uma religião cubana, e não afro-cubana". posso estar enganado, mas a resposta de Pilé se aproxima muito disto. na certa ele quis dizer: foi um show brasileiro, portanto, é óbvio que a Ãfrica se fará presente, sempre...
boa colaboração Quércia...
abraços,
Sim, Osete!
É inegável a inerente ligação entre o brasileiro e afro-descendente.
Também num desses encontros, um professor de Recife levantou a necessidade de outros conceitos que melhor definissem a idéia da afro-brasilidade.
Como falou Pile, as matrizes são muito próximas... e isso não é coincidência!
Abs!
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