Cabelo penteado, blusa manga longa azul, calça e sapato tipo "social" pretos. Foi assim que Felipe Lavor, 21 anos, saiu para o trabalho na segunda-feira, 12/05, às 06h30 da manhã. Como todos os dias, oito horas no departamento operacional de uma empresa especializada em empréstimos monetários.
Na saÃda, ainda meio embolado com os números das planilhas financeiras que alimentou durante o dia, começou a pensar em outra coisa, onde iria agora. A poucas quadras do trabalho Lavor entrou no Primitive & Modern Studio. Um tanto nervoso cumprimentou um outro Felipe, que em instantes já tinha retirado os pelos da sua "batata da perna" direita e se prepava para desenhar três ideogramas japoneses no local. Em pouco mais de uma hora e meia, a pele de Lavor já tinha algo a dizer. Em um pergaminho, estavam as palavras: vida, equilÃbrio e força. Afora a dor, ele estava feliz com o resultado.
O estudante do terceiro semestre da faculdade de economia, é mais um entre os jovens adeptos da tatuagem, tão contestada e marginalizada na sociedade ocidental até bem pouco tempo. Ao contrário de sociedades milenares que utilizavam a tatugem com fins religiosos e rituais, por esses lados a "tattoo" era vista como transgressão, e com péssimos olhos.
Nos últimos 20 anos essa mentalidade está em franco processo de mudança. Cada vez mais jovens e adultos aderem a mania dos desenhos pelo corpo como forma de mostrar a sua individualidade. Assim como o futuro economista, administradores, advogados, juÃzes e até polÃticos guardam por baixo dos seus ternos e tons formais uma boa "tattoo". Antes estigmatizados, os tatuados sofriam vários tipos de preconceito. Desde a recusa na hora de de assumir uma vaga de trabalho ao relacionamento com os pais, totalmente contrários. "Pra ser bem sincero, eu ainda não notei isso porque só fiz há três dias... Mas, por exemplo, minha mãe achou muito bonita, já meu pai (não viu ainda), acho que não vai gostar... Meus amigos estão achando legal... Acho que o preconceito deve vir da galera mais velha... Tipo mais conservadora...", acredita Lavor.
Mudando totalmente o sentido, atualmente é "cool" ostentar uma tatuagem. O que ficava escondido agora é bem visto ( e com bons olhos) por um número bem maior de pais. Passa a ser "inclusor" social, em certos casos, uma questão de atitude. "Acho que ela marca muito no sentido de dar mais personalidade...", avalaia Lavor, ao mesmo tempo em que dispensa o fato de usado a tattoo para se incluir em alguma tribo. "Tribo não!" dispara. "Fiz por mim..."
E a individualidade (ou não) de cada um está a mostra nos tipos de desenhos, os mais variados. De fadas, anjos, a monstros, passando por duendes, ideogramas japoneses, figuras tribais e frases. "Fiz letras japonesas por que acho bonito. Apesar de ser manjado, letra japonesa nunca fica out", explica Lavor.
As tattoos dos famosos cada vez mais atraem a atenção das pessoas. Quem não lembra da tatuagemno antebraço de Ronaldinho na era Cicarelli, que ele fazia questão de exibir a cada gol? As iniciais dos nomes dos dois e um coração no meio. Neste perÃodo milhões de cópias foram feitas em todo o mundo. No Brasil uma das mais copiadas foram as três estrelinhas nas cores primárias que a atriz Luana Piovani exibia quase na nuca, por trás da orelha.
O preço dos desenhos são igualmente variados, dependendo do local e do tamanho, lógico. A de Lavor, por exemplo, não é das mais complicadas, masi saiu por uma bagatela de R$ 180.
Algumas vezes as "tattoos" viram mania e se espalham pelo corpo, sempre com desejo de fazer mais uma. Para Lavor, que ainda não pensa em fazer a próxima, caso venha a fazer será com um bom significado, como a primeira. Já quando perguntado sobre o local (batata da perna direita) a resposta é simples: "Não sei porque... Achei que ia ficar bonita. E ficou!" (convencido o garoto!?).
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