Há algumas décadas o teatro foi perdendo a relevância dentro da vida nacional, o que representa um buraco profundo na discussão da realidade brasileira.
Em seu lugar, assumiu uma visão antropológica da arte, em que milhares de ongs faturam gordos trocados ensinando teatro, música, cinema... Que teatro? Que música? Que cinema?
Que construção teatral minimamente nova tem mostrado seus frutos – não precisa ser na grande mÃdia, mas na mÃdia alternativa – vindas das ongs e mais ongs, das comunidades disso e daquilo? Nenhuma. E sabem por quê? Porque tudo isso é um engodo, uma mentirada absurda.
O Estado brasileiro tem sustentado essa mentira porque é o mecanismo de governantes que não entendem nada de cultura comprarem votos através de lÃderes locais populistas e gananciosos.
As empresas, que tanto falam em responsabilidade social, querem mais é marketing. E existe marketing maior do que a coitadização do brasileiro?
O teatro educativo, com temas como sexualidade e noções de saúde, é o maior embuste cultural desse paÃs, engolindo a preocupação com a arte dramática, a estética, a investigação de novas perspectivas filosóficas com a boca grande da mediocrização.
Nas montagens “alternativasâ€, atores correm para um lado, correm para o outro, gritam, gargalham, enquanto a platéia assiste a tudo louca pra ir embora e sentindo-se enganada por ter saÃdo de casa pra assistir aquilo ali.
Atores leitores? Uma geração como Fernanda Montenegro, Paulo Autran? “Pra quê, se a canastrice dá muito menos trabalho.â€, pensam os embusteiros.
Com essa desprofissionalização da arte, o público corre pra assistir as peças com atores globais, com textos manjados e a reprodução da linguagem televisiva. Pode ser uma porcaria. Porém, mais decente que o teatro da esquerda coitada.
O Brasil precisa se livrar dessa condição de mediocridade extrema. Pensar seriamente na arte dramática nacional pode ser um bom caminho.
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