Tempestade Crossover

Affonso Nunes/House Cultura & Cidadania
De um pôr do sol a outro
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Yuno Silva · Natal, RN
13/11/2006 · 69 · 0
 

O clima praiano do show "Começo, meio e sempre", protagonizado por Cleudo Freire na segunda noite do projeto Quarta Musical* (20/9), deu as boas vindas ao público desde a porta: a areia da praia espalhada na calçada, e que também cobriu o palco da Casa da Ribeira, causou certa estranheza nas pessoas que aguardavam a hora de entrar no teatro.

A primeira impressão aumentou a expectativa: "o que será que vão aprontar essa noite por aqui?", alguém perguntou baixinho.

Enquanto a platéia se acomodava, o palco esfumaçado e levemente climatizado pela iluminação de Ronaldo Costa já dava uma noção que o espetáculo seria simples e bonito de se ver. Na última fileira, o diretor do espetáculo, João Júnior — impávido e imóvel — só observava o resultado do trabalho.

Um a um, os músicos foram tomando seus lugares: Jorge Lima na bateria e programação eletrônica, Jr. Primata no baixo, Diego Brasil (guitarra), Paulírio Casa de Chapéu (percussão), todos descalços com calças de algodão cru e camisetas pretas. Cleudo Freire (voz e guitarra) completa a formação com sua 'tradicional' discrição e figurino contrário ao da banda.

Tímido e com sua apurada consciência musical de sempre, o compositor começou seu show ao entardecer: "Há quanto tempo não passamos um dia juntos?", disse lembrando do hiato entre este show e a apresentação anterior. "Faz um bom pedaço", completou.

O roteiro de "Começo, Meio e Sempre" se passava em 24h, de um crepúsculo ao outro, progressão temporal marcada pela luz e pelo tom das letras — todas do próprio Cleudo.

Eletro-orgânico

A banda deu conta do recado, Jorge Lima acertou a mão nas programações eletrônicas e Cleudo apresentou uma nova roupagem ao seu "Zambê Crossover" — título do primeiro CD. Rearranjou algumas canções antigas que fizeram a alegria do público, e mostrou músicas do segundo disco já em fase avançada de gravação/produção.

No fim das contas, ficou a nítida sensação que ainda falta voz ao cantor para acompanhar a incrível proposta sonora — Cleudo é um tímido confesso. Também deu para perceber que a fusão do orgânico com o eletrônico está bem amalgamada em uma música moderna que preserva suas referências. Show simples, bom de ser ver e ouvir.

Detalhes: os desenhos projetados no cenário eram do filho do Cleudo, que chegou a recitar o poema "Meu tempo é quando" de Vinícius de Moraes e cantar música em hebraico durante a performance.

* saiba mais sobre o projeto Quarta Musical no blog Ruído Muderno

:: Cleudo Freire publicou o "Glossário Potiguar - Papo Jerimum" (2ª edição lançada recentemente pela Editora Sebo Vermelho), um livreto com rimas bem humoradas recheada por expressões que 'só' existem aqui.

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