Clima medieval, riffs e gás carbônico

Ana Kamila Azevedo/House Cultura & Cidadania
Pancada metal melódica na orelha
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Yuno Silva · Natal, RN
13/11/2006 · 66 · 0
 

A terceira noite do projeto Quarta Musical* (27/9), em cartaz na Casa da Ribeira até o fim de novembro, vestiu-se de preto para receber a banda Deadly Fate, legítima representante do lado melódico do heavy metal potiguar. O atraso de quase meia hora só aumentou a expectativa da legião de fãs que lotou o teatro para assistir o show "Secret Land" — título do novo CD do quarteto formado por Oruam Mauro (vocais e guitarra), Wilberto Amaral (bateria), Onofre Neto (guitarra) e Marcos Flávio (baixo).

Para quem não faz idéia do que seja heavy metal melódico, podemos simplificar dizendo que é um subgênero do rock pesado que enaltece as melodias, flerta com a música erudita e é marcado por um vocal mais agudo que outras vertentes do rock.

Esmero

Antes da apresentação, ainda com as cortinas fechadas, deu para notar que o perfil da maioria do público era de uma turma na casa dos trinta e poucos anos, que solta piadinha no escuro do anonimato e adora 'brincar' com tecnologia (dezenas de celulares fotográficos estavam a postos para registrar todos os movimentos).

Devidamente apresentados no telão, a platéia foi ao delírio logo nos primeiros acordes — ok, tinha uma torcida organizada que deve ser levada em consideração. O cenário e a direção foram de João Marcelino e a produção de Tatiane Fernandes.

Como era de se esperar, "Secret Land" foi de um esmero pouco visto por quem freqüenta o circuito pop-rock natalense: riffs alucinados, bateria sincopada e clima etéreo potencializado pelas participações especiais da cantora Valéria Oliveira, do maestro e violinista Oswaldo D'Amore, do violonista Carlos Moreno e da flautista Emille Dantas (que também cantou) — até um pequeno leprechau soltou bolhas de sabão em uma das músicas.

Gás Carbônico

Mas nem tudo são flores: a iluminação estava totalmente fora de sincronia, fato que comprometeu muito a performance (o iluminador que tinha ensaiado com a banda levou falta) e o vocalista Oruam não estava em seus melhores dias. Apesar do cenário bem resolvido, as projeções abusaram de efeitos simples demais para o porte da proposta, e o figurino (colete preto e calça preta) poderia muito bem vestir uma versão dark dos Menudos.

Um dos pontos altos do show foi a interpretação calminha para o mega hit atemporal "Love of my Life" do Queen de Fred Mercury, apenas voz, o violão de Carlinhos Moreno e o coro do público. Outro momento também tirou, literalmente, o fôlego da platéia: quando a banda anunciou Excalibur (música registrada no primeiro CD), o cenário descortinou duas potentes motos estilo custom (tipo Harley Davidson) que interagiram com os instrumentos no breu completo da sala.

Depois de saírem em disparada pelo corredor, a fumaça tomou conta do lugar e muita gente teve que sair para não passar mal com a overdose de gás carbônico. O efeito foi interessante, mas deveriam ter deixado essa participação mais para o final, eu mesmo vi as luzes se acenderem do foyer da Casa da Ribeira com o sufoco.

* saiba mais sobre o Quarta Musical no blog Ruído Muderno

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