Tempo de Guerra

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Mark Röttenberg · Parati, RJ
17/9/2006 · 5 · 0
 

TEMPO DE GUERRA





Não sei se é devido à minha pena, mas mesmo a seu contra-gosto devo manchar a letrada folha em negro. Negro que é bem conveniente ao Tempo de Guerra, Guerra Hi-Tech, afinal, estamos no Século XXI.
Nos estertores do Século XX ainda se discutia uma Guerra Fria mas, nos idos de 1991 seus últimos suspiros cessaram com a ruína do Império Soviético. Os mocinhos e bandidos continuaram os mesmos, sedentos de sangue, poder e sofrimento humanos. Se antes a Guerra era Fria, hoje tornou-se inevitável, se antes havia terrorismo político hoje há o terrorismo puro e simples; terrorismo de estado e sem estado. No novo Século o único Xerife que restou daqueles dias, atira no que vê, no que imagina ver e, na dúvida, também atira no que não existe.
Não bastasse a alcunha de Era dos Extremos criada pelo historiador Eric Hobsbawn em função das atrocidades do Século das Guerras, inauguramos no Século XXI a Era dos Absurdos; hoje um único país chama a si as funções de polícia e de rapinagem internacionais, deixando aos outros o papel de acordar ou discordar com suas ações. De tal sorte que aquele que estiver em acordo o siga qual rebanho que se atira ao precipício seguindo o líder, por outro lado os que discordam, são arbitrariamente divididos em três blocos, o primeiro é apenas ignorado ( Alemanha e França não serem consideradas. Que admirável e medíocre nova ordem mundial), o segundo é alçado à categoria de inimigo, nações do Eixo do Mal e, por fim, o terceiro, do qual fazem parte países como Rússia ( que desordem mundial), China ( dividida entre o capital e o poder político), Brasil e outros, muitos outros.
Nesse novo Século, a nação beligerante com seu Xerife Cowboy e Ignorante, quer conduzir com seus ajudantes uma nova super-produção, o Faroeste Hi-tech , com seus cavalos de aço ( lembram do Hammer? Até o Stallone tem um.), seus uniformes Fashion e uma Piromania de dar inveja a qualquer incendiário psicótico. É Tempo de Guerra porém, essa será uma Guerra diferente, limpa, objetiva e estatisticamente testada, nos computadores pois eles não sangram, não sofrem, tal e qual o condutor dessa infâmia; laboratórios balísticos para armas limpas. Se as armas são limpas devemos comemorar, pois teremos assassínios limpos, o verdadeiro extermínio asséptico ( Goebbels invejaria tal propaganda). É porém, bem-vinda uma pergunta; Teriam os membros assignes da O.N.U. votado em Assembléia a escolha de um único detentor do poder mundial e, nessa votação, expurgado o direito de veto das nações do conselho de segurança?
É Tempo de Guerra, Guerra de Informação e desinformação. Se algum dia houve Direito Internacional, que terá sido feito dele?
Determinaram esses Cowboys que estamos sob ameaça de um Eixo do Mal, eixo do mal, que fique claro, foi alçado ao poder, armado e treinado pela C.I.A. , a agência do famoso agente Maxwel Smart, o agente 86. Reparem na semelhança dele com o little Bush ( em especial, sua capacidade de criar trapalhadas internacionais). Portanto de um lado o bem, do outro, a Kaos, hoje sediada em Bagda, o café.
Mas como tudo na vida deve ter um ordenamento ainda que longe do Jurídico, não podemos expurgar a C.I.A., sem a qual não haveriam marionetes governando nações, terroristas milionários e imbecis para acreditar nessa baboseira de Guerra civilizada. Só existem dois tipos de Guerra, a civil e a internacional, nenhuma delas civilizada e menos ainda, asséptica.
Fica aqui, uma declaração, talvez insana por crer na possibilidade de inaugurarmos uma nova Era das Luzes, onde a razão finalmente não seja usada para distorcer a verdade e justificar atrocidades cometidas contra outros homens, independente de sua condição, nacionalidade ou origem étnica. Esse Tempo de Guerra deve ser um urgente apelo para um Humanismo que deve renascer se quisermos preservar algum futuro, mesmo que breve.

PS: Esta crônica jamais foi tão atual


Mark B. Röttenberg, Janeiro de 2003

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