TEMPO DE GUERRA II

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Mark Röttenberg · Parati, RJ
18/9/2006 · 13 · 1
 

Começou!
O Tempo de Guerra tornou-se É Tempo de Guerra.
Nesse momento, com sofrimento e júbilo de um povo, americanos despejam o que há de mais grotesco em tecnologia sobre o já, de há muito, combalido Iraque. O nome dado a essa operação é sugestivo, Operação Libertação do Iraque. Porém há uma pergunta. Estarão esses nobres guerreiros libertando o Iraque do jugo do ditador Saddam Hussein ou do embargo comercial( leia-se menos petróleo no mercado) que levou toda uma nação, antes da Guerra do Golfo considerada desenvolvida para os padrões do oriente médio, à miséria, excetuando-se aqueles privilegiados que sempre se beneficiam do contrabando e de seu status político? Quem libertará quem de que ou de quem, ou será uma simples mudança de senhores do destino?
Mas ainda e apesar de tudo, a agressão foi deflagrada e, contra toda e qualquer opinião contrária, não há quem possa negar a emoção e o deslumbramento gerados por tal espetáculo maníaco- pirotécnico.
E retornamos à questão tecnológica. Tecnologia é produzida através da ciência, e a ciência liberta a alma humana. Correto? Não necessariamente, pois a ciência pode produzir monstros tecnológicos, absurdos da ciência libertadora ou de seus promotores, humanos, passíveis de erros e sujeitos aos mesmos sentimentos que qualquer outro homem. A ambição, certamente é fator chave que colabora com esses desvios pois a ciência por princípio é incorruptível, seus promotores, os homens, não.
Que busca o homem com seus artefatos tecnologicamente sujos? Talvez a auto-afirmação sobre seu próximo, justificativas para sua intolerância com as diferenças e o domínio sobre o mais fraco. Talvez! A alma humana tem escaninhos que mesmo ela desconhece.
E ainda aqueles que protestam contra esse Tempo de Guerra, são essencialmente iguais àqueles contra os quais protestam de forma tão veemente. São sujeitos aos mesmos sentimentos e reações, e demonstrarão isso algum dia quando julgarem necessário defender seus interesses inalienáveis.
Há conflitos armados, todo o tempo, em todo o mundo. Onde as manifestações contra esses conflitos? O homem é movido por interesses, quase sempre pecuniários. Com plena certeza terão morrido mais jovens brasileiros de até 25 anos de forma violenta ao final desse ano, do que morrerão iraquianos civis ou não nesse espetáculo televisivo. E com direito a cobertura em horário nobre. Alguém vê corajosas manifestações contrárias e cobertura jornalística tão competente nesse nosso espetáculo permanente? Talvez o apelo humanitário-comercial não seja digno de tamanha importância.
O homem tem guerreado, conquistado, escravizado e assassinado seu semelhante desde tempos imemoriais. Assim é, O homem é lobo do próprio homem. E dentro de pouco tempo, teremos esquecido o Tempo de Guerra, até que surja outro conflito que mobilize o poder que dita nossas opiniões. Vejam que nos E.U.A. a opinião pública, em sua maioria, apóia a ação militar de seu governo, em outros países há divergências e reações contrárias. Será o apelo?
Guerra sempre foi um modo de domínio, um negócio, um modo de desviar a atenção de problemas internos de um país - o déficit de conta corrente dos E.U.A. está próximo de U$ 500 bi.
Começou, agora é Tempo de Guerra!
It's show time! Then let's enjoy, watching TV, drinking Coke and eating microwave Popcorns.


Mark Röttenberg
Paraty, Março de 2003


- Em tempo. Apesar do sarcasmo implícito e explícito no texto acima, considero que toda batalha deva ser travada no campo (por vezes fértil) das idéias, ainda que muitas vezes sejam desprovidas de ideais ou argumentos relevantes, é nesse campo de batalha que o homem tem a chance de perseverar na incessante busca pela verdade. Esteja ela onde estiver!

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André Dib
 

É isso aí. Acho que esse texto não tem muito a ver com o Overmundo, mas lá vai: quem sabe a próxima guerra não seja EUA x América Latina? Temos o muro (no México). Nosso Bin Laden é Fidel, o inatingível. Nosso Saddam, Hugo Chávez. Temos até um Talebã, quiçá Hezbolah - o PCC. Só falta os dramaturgos a mídia norte-americana se atentarem pra isso, se é que já não reservaram este épico para os próximos capítulos.

André Dib · Recife, PE 18/9/2006 01:54
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