UM PEQUENO REFÚGIO DENTRO DA CIDADE

Teka Karpstein
Entrada principal do Parque
1
Teka Karpstein · Bauru, SP
22/11/2007 · 43 · 1
 

Alguns metros antes de chegar ao meu destino, os sons já começaram a mudar. As buzinas e motores dos carros que passavam numa avenida próxima perderam espaço para os pássaros que cantavam animadamente pela abundância de alimentos encontrados nas flores e frutos das árvores, afinal é primavera.

Fazia meses desde minha última visita ao Parque Ecológico Municipal Bióloga Tânia Mara Netto Silva.
Localizado à rua Pedro Silvestrini esquina com rua Augusto F. Alonso, bairro Jardim Paulista, em Ourinhos, no interior de São Paulo, o parque sempre foi uma referência para mim, principalmente para projetos de turismo praticado em espaço natural e projetos de educação ambiental, que desenvolvi durante minha graduação no curso de Turismo. Fiz estágio no parque por três meses, enquanto desenvolvia pesquisa científica na área de Educação Ambiental para minha faculdade.

Chegando ao parque, percebi mudanças evidentes. A entrada foi reformada, o caminho que leva para seu interior ganhou novos ares. Logo que entrei fui conversar com a guia do parque, a estudante de biologia Bruna Castro. Minutos depois, chegou um grupo de 15 alunos da APAE de Salto Grande, cidade que fica a 16 km de Ourinhos. Todos em sua primeira incursão pelo parque. Bruna foi guiá-los e eu decidi acompanhá-los pelas três trilhas abertas até o momento. Fiz a coisa certa.

Durante a caminhada, a orgulhosa guia Bruna (explico esse orgulho depois ok?) mostrava aos visitantes a importância da criação daquele parque para a cidade e para todos que se importavam com o futuro ambiental do planeta. De começo, todos estavam ainda meio quietinhos, intimidados pelas cigarras que insistiam em "falar" mais alto que todos. Os olhares eram curiosos, como se buscassem algo que ainda não tivesse aparecido. E buscavam. Continuamos o passeio quando para alegria de quase todos, um lagarto cruzou nossos caminhos. Alguns se assustaram, pois nunca tinham visto um lagarto tão grande e tão de perto. Nesse momento, as cigarras começam a perder sua "voz" para dar espaço aos burburinhos emocionados daquelas crianças, que a partir daquele momento se integraram definitivamente à natureza. Mas ainda esperavam algo...

Passamos pelo relógio do Sol, que com o horário do verão passou a ficar uma horinha atrasado, mas, claro, não perdeu seu encanto por isso. Todos ficaram surpresos com seu funcionamento, afinal o sol mostra as horas por meio de sombras que se formam no chão.

Continuamos o trajeto quando um aluno percebeu que ao lado de uma árvore, descrita por ele como sendo "alta e magra", nada nascia. Grande observação, pois o parque inteiro é repleto de vegetação. Por que ali não havia nada? Conhecida por Chupa - Ferro, essa árvore tira todos os nutrientes do solo, fazendo com que outras espécies não consigam crescer ao seu redor, explicou Bruna.

Caminhamos mais um pouco e passamos pelo córrego, bem atrás do parque. Fomos à ponte suspensa, que possui 37 metros de comprimento e passa ao lado de muitas copas de árvores. Futuramente, essa ponte será ampliada e poderá chegar a 100 metros de extensão. O término da caminhada foi na fazendinha criada há pouco tempo no parque, onde há coelhos, patos, marrecos e tartarugas. Naquele momento, todos já estavam encantados e falantes. Mas ainda faltava algo.

O que todos esperavam era encontrar um dos 18 macacos pregos (em breve esse número irá aumentar, pois a reprodução desses mamíferos vem acontecendo de forma bastante natural dentro do parque) ou o simpático macaco Bugio que foi levado para lá há uns seis meses. Mas, para tristeza de todos, eles não apareceram. Já estavam alimentados e, talvez por isso, resolveram ficar nos observando à distância, apenas emitindo sons para que nossa vontade e curiosidade aumentassem ainda mais.

Perguntei a uma aluna do grupo, a Karina, de 15 anos, o que ela achava do parque. Ela me respondeu com total certeza do que dizia: "Gosto do cheiro, do barulho, da música das cigarras, do vento e até dos mosquitos. Se eu pudesse viria aqui todos os dias!â€.

A professora Juliana, uma das acompanhantes do grupo, me disse que antes de fazer a visita, os alunos passaram por aulas extracurriculares de Educação Ambiental, onde aprenderam a importância da preservação da fauna e da flora, do silêncio durante o passeio pelas trilhas e da importância de não se jogar o lixo no chão. Pode parecer pouco, não é? Mas isso mostra a importância de cada um fazer a sua parte, no dia a dia, sem maiores dificuldades.

Após o passeio com os alunos, voltei ao bate-papo com a Bruna (ainda tenho que explicar o termo orgulhosa!) e ela me disse como se sente feliz em poder participar ativamente dos projetos voltados à preservação do meio ambiente, de estar ali mostrando a tantas pessoas diferentes na maneira de pensar e agir, diferentes na condição social e na idade o objetivo do parque.

Bruna destacou algo que eu já sabia por experiência própria: o maior projeto do parque está voltado à comunidade acadêmica, que utiliza a área para estudos ambientais. Alunos de Biologia e Turismo vêem ali um laboratório ao ar livre. Para os turismólogos, interessam os estudos de impacto provocados pelo turismo nas áreas naturais. Muitos projetos científicos já foram iniciados ali e apresentados em congressos brasileiros. Futuramente, o parque terá um novo núcleo de Educação Ambiental, mais amplo e com equipamentos que ajudam na compreensão das atividades como livros, painéis explicativos e amostras dos tipos de lixo. "Me sinto muito orgulhosa de trabalhar aqui", disse Bruna.

Aos que vão ao parque, deixo um recadinho: aprender com a natureza faz com que o homem volte as suas raízes e sinta que sua vida está ligada e cada vez mais dependente do equilíbrio entre o meio ambiente e seu habitat. Só teremos um futuro digno, se o meio ambiente tiver também. E então todos teremos do que nos orgulhar.

compartilhe

comentários feed

+ comentar
anamineira
 

Teka,
Ótima sua matéria, além do mais, você é dez pra redigir.
Meu sonho de consumo é ter um lugar assim para morar e trabalhar
com todas as idades em diversas áreas de cultura e arte, é claro!
Depois dos "entas".
Parabéns. Abraços.

anamineira · Alvinópolis, MG 12/12/2007 19:32
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

imagens clique para ampliar

Alunos da APAE - Salto Grande (SP) zoom
Alunos da APAE - Salto Grande (SP)
Caminhada pela trilha principal zoom
Caminhada pela trilha principal
Relógio do Sol zoom
Relógio do Sol
Karina, 15 anos. Uma encantadora aluna do grupo. zoom
Karina, 15 anos. Uma encantadora aluna do grupo.
Ponte Suspensa zoom
Ponte Suspensa
Ãrvore Chupa - Ferro zoom
Ãrvore Chupa - Ferro

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados