Há algum tempo o Brasil vem sofrendo com uma espécie de esquizofrenia no campo da comunicação.
O marco ideológico que leva a tais conflitos é, em parte, promovido por instituições internacionais de interesses diversos cujos objetivos são bastante duvidosos e colocam em risco a integridade nacional através do surgimento de pequenos conflitos em áreas nas quais seria saudável a preservação daquilo que se chama coesão social. O mais absurdo, no entanto, é pensar que parte desses conflitos é representado por ONGs brasileiras, majoritariamente financiadas pelos governos dos Estados Unidos e da Europa, com claros interesses nas áreas fronteiriças, em especial, no território do Acre e de Roraima. Isso sem contar também o envolvimento de tais ONGs com departamentos do governo como representantes diretas de interesses alheios, movidos por um ódio estabelecido contra instituições de mercado nacionais e impactando de maneira negativa as relações estruturais brasileiras.
Nesse contexto de pequenos conflitos contidos, atitudes que parecem ser diretamente ligadas ao bem-estar da população agem como uma espécie de veneno que coloca em risco todo o trabalho de uma nação construído a duras penas. Uma delas é a portaria de classificação indicativa do Ministério da Justiça, apoiada por ONGs de “democratização” de interesses oportunistas.
Historicamente, a televisão sempre foi estudada como um modelo de dominação cultural feito por parte das elites em relação a um povo que seria, em contrapartida, alienado de sua vida social pela programação televisiva. Essa concepção é muito arcaica, podemos inclusive identificar os traços de tal pensamento na baixa Idade Média em relação ao próprio desenvolvimento da ciência. Outro setor que sofre com isso também é instrumento de integração e, em parte, é representado pelos videogames em rede, embora sua influência no Brasil ainda não tenha sido notada.
Como diz o sociólogo francês Dominique Wolton, a televisão brasileira, ao contrário do que é propagado pelas ONGs levou ao pé da letra a máxima de que “Comunicação é integração”. E não é mentira como se pode notar nos recentes conflitos que acontecem no Acre na ocasião da mudança de horário da programação televisiva para o ajuste da programação à portaria do Ministério da Justiça. A cultura da televisão é o laço entre as classes sociais, não nega o sociólogo. Tanto é o laço que ao vê-lo partido, a população é convocada a protestar contra quem? Contra a televisão! Pedindo de maneira fragmentada que seu laço seja restabelecido como se a televisão de um momento para o outro fosse a esposa que jogou a aliança fora. Mas não! A televisão ainda parece querer essa aliança. Tanto quer essa aliança que briga com o juiz para não assinar o divórcio. Mas caberia bem falar da lei da física, dois corpos não ocupam o mesmo espaço ao mesmo tempo. Não é apenas uma questão de leis.
É incrível que as instituições sindicalistas brasileiras ainda tenham convocada um povo para se ferir e protestar contra aquela, que ao contrário do que prega suas ideologias pseudo-libertárias, foi o fio condutor da modernização no Brasil e não a companheira infiel da ditadura. Sob muitos aspectos, foi a televisão que contribuiu para amortecer os efeitos políticos na era em que o governo considerava o povo um nada. A TV, ao contrário, parece ter considerado sempre esse povo soberano a qualquer governo!
Mas, caberia se perguntar, a quem interessa o laço social? Eu não tenho dúvida que ao Brasil.
E a quem não interessa o laço? Caberia um minuto para se perguntar.
Mesmo que a aliança que prega a TV não seja destituída de um certo interesse comercial, mesmo que as tradições regionais sejam arranjadas em sua programação, ainda a ordem das identidades se comunica com esses intercâmbios. Não é nem uma questão de se regionalizar a programação porque em muitos aspectos, isso está na ordem financeira das pequenas emissoras locais e, se ela não existe, não existe sequer a televisão aberta, portanto, nem mesmo a pouca programação regional existente.
Mas não é apenas a fragmentação da televisão que está em jogo colocando em risco toda a incipiente produção regional no Acre, como todo o sistema de televisão no Estado. É muito fácil transformar o reflexo da nação no espelho da floresta na imagem rota de São Paulo poluída. Basta para isso instalar a recepção via satélite. Mas ai, dentro da ordem econômica estaria completamente perdido o valor do sinal aberto e gratuito e, portanto, qualquer traço de regionalismo seria simplesmente apagado do mapa. Isso sem contar que na lógica das redes, além de todo o mercado do sul entrar comprometendo a economia local, também junto dele está o sinal das emissoras estrangeiras e de seus interesses de integração global. A Amazônia é um território em risco.
E não só o risco cultural bem como o étnico, o político e o sindical. E assim também é a política do Ministério da Justiça, uma política que ao invés de proteger, potencializa os riscos na região, que somada às outras políticas no norte do Brasil estão em descompasso com a contemporaneidade, com a segurança nacional e com o bem-estar da população e, ainda dizem, que em nome de criancinhas. Pergunto: Das criancinhas de quem? Daquelas que dizem feridas por uma programação da TV no Brasil? Ou das crianças que no meio de tal atitude verão um Brasil fragmentado, tanto quanto as suas comunicações em um mundo onde a nova ordem é a convergência? Ou quem sabe, protegemos as crianças dos outros, dos países que querem porque querem a Amazônia? Mas, é claro, na cabeça do burocrata isso não tem impacto. Não tem? O que faz mais mal, um programa de TV cujos malefícios sequer foram provados ou uma nação fragmentada e cheia de conflitos?
Eu vou voltar pra ler o teu artigo. Deixa votar ir pro trampo....
Mas, é pano pra manga. ONGS. mal versação de dinheiro.
E a dívida histórica. Nada no Brasil vai ter solução enquanto não houver o pagamento da História.
O pagamento da História passa pelo complexo terrível
privilêgio/ IMIGRAÇÃO.IMIGRANTES. NAÇÕES OUTRAS.
descaso.abandono/NEGRO/AFRICA.INDIO.
vou voltar.
um abraço,
andre.
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