A batida é de hip-hop e as histórias são cruas. É escrita que garimpa beleza na vida dura e no mais fundo do abismo da alma, em presídios, delegacias, barracos, esquinas e motéis.
Você vai ouvir um coração batendo assustado com a faca de cozinha cortando a carne e quebrando ossos para arrancá-lo. São contadas assim as histórias de ‘Vida cachorra’, de Mariel Reis.
Estou tomando esse coração de um dos contos do livro. Está nas mãos do filho que vai enfiá-lo numa caixa de isopor e correr para o pai que agoniza na fila do transplante. É pancadão. “Se falta metáfora, sobram vísceras livro-adentro. No osso é que rói a mó da comédia humana, o grotesco sublime”, anuncia no prefácio João Carrascoza.
Pelas minhas contas ‘Vida cachorra’, editado pela Usina das Letras, é o terceiro livro solo de Mariel. Ele participou de coletâneas e publica no seu blogue – Cativeiro Amoroso e Doméstico.
O livro vai ser lançado agora, nesta quarta-feira, dia 2 de março no Rio, na Livraria da Travessa, Ipanema, a partir das 19 horas. Na ocasião, será lançada também a coleção de poemas ‘Tríade’, de Cristine Gerk.
Fui Colega de Mariel na oficina de Antonio Torres, na Uerj. Dava gosto, então, ouvir Mariel contar suas histórias. Agora dá cada vez mais gosto ler o que ele escreve.
(Altamir Tojal)
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