O entrudo - brincadeira que consiste em molhar as pessoas com baldes, bacias, seringas ou qualquer recipiente que esteja à mão - predominou no Brasil Colônia e no Império. A brincadeira é considerada antecessora do carnaval tal como o conhecemos hoje.
Embora tenha sido muito apreciado pelos nossos dois imperadores - especialmente por D. Pedro II, que costumava servir-se de limões de cera e bacias d?água para atacar a corte que freqüentava o Palácio da Quinta da Boa Vista ?, o entrudo sofreu verdadeira perseguição por parte da polÃcia. A reação era motivada por campanhas dos jornais da época, que o consideravam uma prática ?bárbara?, que precisava ser abolida em nome da ?civilização?.
Mesmo sendo restringido e perseguido, o entrudo resistiu por mais de 200 anos nos grandes centros do paÃs e nunca deixou de existir nas cidades tocantinenses de Arraias e Dianópolis.
É possÃvel que por aqui esta tradição não morra tão cedo. Por alguns motivos: 1º) os foliões se animam com a brincadeira; 2º) desde cedo as crianças já aprendem que molhar os outros pode ser bem divertido, tanto que há um bloco para os pequenos que sai antes dos adultos; 3º) a prefeitura ?facilita? a brincadeira disponibilizando chuveiros (de água quente e fria, como preferir) e torneiras nas ruas - basta encher o balde e começar a brincar. ?Ninguém reclama da brincadeira porque quem sai para rua já sabe que vai se molhar?, diz a estudante Cleidiane Marques, 16 anos. Desde que se ?entendeu por gente?, Cleidiane sai nos blocos do entrudo.
A cidade foi criada em meados de 1735 por portugueses e africanos que procuravam ouro. O entrudo nasceu dessa mistura, em 1800. FamÃlias tradicionais adotaram a prática, que se mantém firme até hoje.
Folia
Toda a folia é acompanhada ao som de marchinhas nos metais da Banda do Entrudo, formada por músicos da PolÃcia Militar. Com a banda, o compasso do desfile é mais lento, o que permite aos entrudeiros entrar nas casas e molhar quem encontram pela frente. Não escapa ninguém. Arrumados ou não, cavaleiros, amazonas, visitantes, repórteres: todos saem molhados.
No primeiro dia de carnaval, desfilam apenas as crianças. Cerca de 2,5 mil alunos das escolas de Arraias se reúnem na Praça Xanduzinha, no Centro, munidos de baldes ou garrafas pet cheias d?água.
Em Dianópolis (352 km de Palmas), o entrudo é organizado pelo Bloco dos Enxutos e, a exemplo do que ocorre em Arraias (a 446 km de Palmas), as crianças abrem a brincadeira. Mais tarde, todos estão na folia. ?Os visitantes é que não gostam muito do entrudo porque sempre molham os documentos?, brinca a funcionária pública Margarida Maria da Silva.
Programação:
Arraias
Localização: 446 km de Palmas, na região sul
Horário: das 8 às 22 h
Quando: de 25 a 28 de fevereiro
Programação: Os moradores farão o entrudo a Praça Xanduzinha, desfilando pelas principais ruas da cidade e parando na Praça da Matriz. A banda de metais da cidade animará os foliões ao som de marchinhas e lundus. Das 14 às 20 horas, a banda Talento musical faz a festa do folião na Praça da Matriz. Após as 20 horas, acontece o baile no Clube Social Arraiano. No carnaval mais popular, a banda baiana Talento Musical volta à cena para tocar no Setor Buritizinho.
Dianópolis
Localização: 352 km de Palmas, região sudeste
Horário: das 8 às 22 h
Quando: de 24 a 28 de fevereiro
Programação : Todos os dias haverá o entrudo organizado pelos moradores e pelo Bloco dos Enxutos que desfilam pelas principais ruas da cidade. Quem puxa os entrudeiros é a Banda de Sopro da Escola de Música de Dianópolis. Quatro bandas - uma regional e três da Bahia - animam os foliões na praça principal. No domingo, o Bloco dos Caretas - homens mascarados - faz o desfile na cidade.
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