Carnaval

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Eixo Cult · Diamantino, MT
7/3/2011 · 0 · 0
 

Agora moro no centro dessa cidadezinha. Aqui não há cômodos apertados, tudo é grande e espaçoso, tão grande que para escrever sobre isso, demorou um tempo até que o amontoado de idéias que tenho ficassem claras .

Mas passo pouco tempo aqui, apenas nos finais de semana consigo aproveitar o espaço que agora faz parte de mim. O café da manha que tomo é na padaria, almoço na redação restando apenas o jantar, a cama, os livros e esse computador.

Juntando tudo isso, posso dizer que pertenço a cidade, percorro ela, me transformo nela.
Falo apenas da cidade, sua arquitetura, suas ruas, timbres e sabores.

Das pessoas que vivem aqui, evito, às vezes fujo a regra, converso com algumas que não são necessárias, e sempre, sempre mesmo, quando quero ficar no meu canto, elas surgem com os assuntos que acham que eu gosto, das coisas que acham que eu posso fazer, acham que sabem o que se passa, me julgam desde a primeira conversa e seguem todas as restantes baseadas na primeira conversa.

Não as culpo, são cercadas disso aqui, respiram o habitual, o obvio, aquele ciclo confuso de gastar saliva da boca e esvaziar os pensamentos.

A casa, fica no meio da cidade, cercada de todos os mitos presentes na sociedade. Em frente esta a prefeitura, mais adiante a rodoviária, rodeada de dois bares, sempre lotados de pessoas que gostaria de conhecer, ainda não sei porque mas acho que todo bêbado, mendigo reside algo místico neles, não gosto de tomar proporções gigantes nesse pensamento, mas talvez acho isso porque representam a face decadente da sociedade. Mesmo sendo tortos, eles não estão se importando, sua vida reside próximo grande “causo†a sair na mesa de bar.

Também a igreja, nunca passei perto, mas me parece ser um herói decadente visto que não há nada lá, festas, eventos, nem as missas são comentadas, talvez culpa do padre.

Abrindo a porta, nesse exato momento esta toda uma multidão feliz a dançar no carnaval popular. Passei um bom tempo no meio deles, andando para ser mais exato. Infelizmente, momentos como esses me fazem mal, não um mal de depressão, nem culpa, nem nada, para ser exato não consigo entender o que há para aquilo ser o que é. Claro a vários fatores para eu não me sentir “euâ€. A musica não e do meu agrado, não havia uma tabacaria, nem o alternativo consegui, não que quisesse mais para mim serve como um indicador do nível da festa,me pareceram caretas e gentis.

Gostaria de esquecer um pouco, parar de pensar, e curtir a festa sem entender todas as razões e objetivos por trás daquilo, mas não consigo, fugir de mim mesmo não posso, tenho que conviver com esse ser batizado, e crismado na sociedade. Devo carregar nos ombros as escolhas e os pensamentos gerados por tudo que fiz, como dizem levar a serio.


Rodrigo F
06/03/11

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Rodrigo F
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