O primeiro encontro foi meio às pressas, no dia da defesa de sua tese, intitulada “Afoyé, a língua do povo do mel”, a qual lhe rendeu o título de doutora em lingüística pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Tudo bem que eu gosto da vida acadêmica – não é à toa que faço mestrado – mas em alguns momentos da defesa me sentia meio perdida no meio de tantas especificidades. E não era a única: uma parte da platéia que assistia à explanação de Maria Pankararu estava lá mais para prestigiar o acontecimento, presenciar a primeira vez que uma índia chegava ao mais alto grau de formação acadêmica, que necessariamente conferir o nível do trabalho, aprovado com louvor. Alguns outros, jornalistas de uns quatro ou cinco veículos, aguardavam o momento de ter sua entrevista concedida. Para eles, a espera de quase quatro horas de defesa parecia ainda mais complicada. Todo mundo sabe que jornalista quer tudo sempre ali, na hora. Mas universidade tem regras, e os interessados sentaram a bunda na cadeira. Esperamos, assistimos. Quando terminou, cada qual que puxe a Maria para um lado: dois minutos, duas ou três perguntas, matérias na TV, outras no jornal.. Eu queria um pouco mais que isso, achei que Maria parecia um pouco atordoada com aquele assédio todo, e me senti uma invasora de privacidade. Consegui, nesse dia, resposta para quatro perguntas e um telefone para entrar em contato e conversar melhor depois. Seria muito óbvio falar da Maria doutora. Melhor deixar a doutora Maria falar. O telefone ficou mudo por alguns dias, sem contato. Fiquei sabendo, no segundo encontro, que ela tinha ido à sua aldeia, em Pernambuco, comemorar junto aos seus. No fim de abril, ela atendeu a chamada, e marcamos na biblioteca da Ufal. Era pra ser uns vinte minutos de conversa, mas rendeu bem mais. Tanto que fiquei com pena de editar, mas enfim, o banco de cultura do overmundo tem várias utilidades e achei que essa seria uma boa: quem gostar do que está no overblog e quiser conhecer um pouco mais do que a Maria tem a dizer, era só entrar aqui. Mas deixando o blábláblá da Tatiana de lado, vamos ao blábláblá com a entrevistada...