A escrita do jovem Maxwell dos Santos é a leitura crua e nua da realidade que acomete nossos jovens na atualidade, seu olhar o permite trazer à tona questões sociais de impacto na sociedade. Em seus livros, ele traduz a vida e as dificuldades enfrentadas no cotidiano dessa parcela da sociedade que vivencia dilemas e encontros com as novidades impostas pela falta de oportunidades.
Esse livro é especial por trazer à luz uma questão afeta ao sistema obstétrico vigente no Brasil, a violência obstétrica. Questão esta, que fora ao longo dos anos naturalizada por homens e principalmente por mulheres. Mulheres que sofrem todos os dias nas maternidades brasileiras, realidade marcante no Estado do Espírito Santo.
Nos últimos anos, esse tema tem tomado espaço na pauta dos direitos das mulheres. Afinal, seria o momento do parto, um importante momento de felicidade e um especial rito de passagem para as mulheres. A transmutação da filha para a mãe.
Comum conversarmos com mulheres que já tiveram filhos por via vaginal e observarmos que toda sua “mágoa” com seu parto, está na verdade, localizada no tratamento inadequado e desumanizado a que elas foram submetidas. Esse parto marcado pelo tratamento bruto, pelo uso/excesso de intervenções (muitas vezes desnecessárias), pela dor ampliada pelas intervenções, é o relato que essa mulher passará adiante.
Esse relato vai constituindo o imaginário de que o parto é um ato violento ao corpo feminino, com memórias predominantemente na dor, ao ponto de várias mulheres rechaçarem a hipótese do parto normal por estarem afetadas por esses relatos de partos que foram brutalmente marcados pela violência obstétrica.
Então o que seria a violência obstétrica? Toda sonegação de informação, violências verbais e piadinhas, procedimentos e técnicas realizados pela conveniência profissional para apressar o parto (que podem trazer danos a saúde do bebê e da mulher), falsas indicações de cesáreas. Que podem ocorrer durante o pré-natal, parto e pós-parto.
Seria possível se prevenir? A informação é a forma mais poderosa que as mulheres e homens podem se utilizar para precaver das violências obstétricas e assim, vivenciar um parto mais digno e respeitoso.
A aproximação de grupos de apoios à gestação, profissionais envolvidos com a humanização do parto (médicos obstetras, enfermeiras obstetras e doulas) e o empoderamento são importantes chaves que podem ser utilizadas.
E é nesse sentido que o livro Comensais do Caos demonstra sua importância, servir como fonte de informação e desnaturalização da violência obstétrica.
Graziele Rodrigues da Silva Duda
Doula do grupo Zalika
Comensais do Caos é o segundo livro impresso do escritor Maxwell dos Santos. A publicação tem quatro contos, cada um deles contando histórias de quatro jovens de Vitória: Débora, Camilla, Adriane e Isadora, denunciam casos de violência obstétrica praticada por profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros. O objetivo de Comensais do Caos é lutar pela humanização do parto, enfatizando o protagonismo da mulher em tal processo fisiológico e autonomia da mesma em decidir como quer e onde quer parir.
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