COLETIVO CONCERTO GROSSO
“Grosso, em qualquer parte do paÃs, pode ser uma pessoa sem educação, deselegante, o contrário de fino, enfim. No entanto, o projeto Coletivo Concerto Grosso, capitaneado pelo músico gaúcho Marcelo Birck, é grosso só no nome: conta com algumas das mais interessantes e, para ficarmos na dicotomia, refinadas bandas da cena contemporânea desse lado sul do paÃs. Para começar, “concerto grosso†se refere a um tipo de formação barroca, em que dois solistas dialogam com o resto da orquestra, entrando em consonância ou não. Isso, mais do que a grosseria no sentido mais amplo, define o projeto. Em outras palavras, trata-se da interação entre as bandas/artistas que fazem parte do coletivo, propondo, mais do que o encontro de diferenças, novos caminhos a partir de visões individuais. Ou seja, o projeto pretende potencializar trabalhos distintos e singulares a partir desses encontrosâ€.
A CANTORA, O OUTONO E O MAR
“Para Jaymay, como toda cidade no mundo, Londres tem o seu encanto, mas o seu lugar favorito é mesmo Nova York. No momento em que estava respondendo essa entrevista, ela revelou que olhava para uma grande área da cidade de Nova York, incluindo o rio Hudson, que dias depois serviria como pista de um pouso de emergência milagroso. “Mesmo que tudo isso esteja logo ali – 23 andares do elevador até a rua – sinto saudades. Logo, não deveria comparar essa cidade com outras porque ela é a minha favorita, e é como (Bob) Dylan disse, 'the same thing I would want today, I would want again tomorrow'â€.
GERAÇÃO 00 – BRASÃLIA
““A geração 00 brasiliense fracassouâ€. Para o público de ocasião, essa é a verdade. Não conseguiu colocar no cenário nacional/comercial nenhum hit, ninguém, nem banda nem artista solo. São trinta anos da construção de uma tradição que começou lá atrás com Eduardo Dussek, que conheceu o auge com a Legião Urbana e o Capital Inicial (mas em outro momento), que ganhou novas perspectivas em figuras como a cantora Cássia Eller e a banda Raimundos. Existe uma gama maior entre aqueles que fizeram sucesso mediano, que figurou entre o comercial e o underground, como foi o caso da Natiruts, Maskavo Roots, Plebe Rude, Rumbora, Finis Africae, todos representantes das décadas de 80 e 90.â€
O SENADOR MEDINHA
“O fato é que esse esquecimento da mÃdia – por pouco caso, simpatia ou questões editoriais – fazem alguns bons trabalhos caÃrem no anonimato e no esquecimento, ao passo que a promoção do mais do mesmo apenas se propaga. Não é apenas por ser o Medina, mas existe uma certa incoerência em exaltar um trabalho de um determinado autor num momento em que ele está amparado por uma grande gravadora, ou editora por trás, para logo em seguida esquecê-lo porque ele deixou aquela condição. Isso vale tanto para aquele fanzine que passa a detonar e ignorar o artista antes elogiado porque ele atingiu o mainstream, quanto para a grande mÃdia que só enxerga um determinado horizonte e não tem o menor interesse em acompanhar carreiras e obras. Isso gera monocultura em ambos os lados, até porque poucos são o que propõem a caminhar e dar valor ao que acontece entre esses dois pólos: underground e mainstream.â€
OS DELES SÃO MELHORES QUE OS NOSSOS
“Tomemos por exemplo um dos melhores e mais populares; a Caverna do Dragão (Dungeons and Dragons). Começou como um jogo de tabuleiro conhecido pela comunidade nerd. No inÃcio dos anos 80, algum capanga de gravata deve ter visto a oportunidade de ficar mais rico e comprou o uso dos direitos da TSR para criar uma série animada para a televisão. Fizeram 20 capÃtulos. A recepção foi morna e a série morreu. Aqui, se tornou o desenho mais popular de toda uma geração. Desisti de formular quaisquer teorias sobre o sucesso avassalador da série. Resolvi arquivá-la sob “SÃndrome de Faith No Moreâ€, que também fez um sucesso estrondoso por aqui e nos lá nos EUA, nem tchuns.â€
SANGUE NOVO NO SUL
“No Sul, há também a galera da Baxada Nacional Filmes que já produziu curtas elogiados no Festival de Gramado. São cinco sócios na produtora de quatro diferentes Estados e regiões do paÃs: Filipe Barros e Leonardo Maestrelli (do Rio Grande do Sul), FabrÃcio Cantanhede (Mato Grosso), Eduardo Rosa (Bahia) e Lucas de Andrade (Rio de Janeiro). Desde 2006, esse grupo já produziu vÃdeo clipes, comerciais, curtas metragens e documentário, com uma proposta estética muito interessante. “Independente da grandeza e da caracterÃstica do trabalho, tentamos realizar sempre o que acreditamos ser o melhor. Isso vem também do fato de cada um de nós exercermos funções distintas como equipe, então acabamos por buscar a excelência dentro de cada área, seja fotografia, edição, direção, etc. E nos cobramos isso, uns dos outros. Mas isso não nos ilude e nem nos limita, sabemos que há muito a aprender e evoluirâ€, disse o carioca Lucas de Andrade.â€
NEM FOFO, NEM FÃCIL
“Uma segunda abordagem compactua com a crÃtica que diz que Wall-E deveria concorrer ao Oscar de melhor firme, não apenas na categoria de animação. Esse mesmo grupo o elege como o 2001 – Uma Odisséia no Espaço da animação, por causa do pouco diálogo e das referências óbvias inseridas. Não se pode esquecer das supostas conotações filosófico-acadêmicas. O fato da Terra se encher de lixo, das pessoas viverem bovinamente dentro de uma rotina condicionada a ponto de perderem a consciência de si mesmas é como a realização profética apocalÃptica dos pensadores da escola de Frankfurt a respeito das conseqüências e danos da cultura de massa explicada nas teorias crÃticas. Num resumo pontual, a indústria cultural, que viabiliza a cultura de massa, objetiva o controle da percepção dos seus consumidores em relação ao seu ambiente até chegar um ponto onde as pessoas pensem que não é possÃvel viver de um jeito diferente. Se forçar um pouco mais, dá para encaixar a visão igualmente apocalÃptica de Aldous Huxley em Admirável Mundo Novo de uma sociedade totalitária e desumanizada.â€
O IRÃ É AQUI
“Marjane passou o fim da sua infância e o inÃcio da adolescência com duas vidas paralelas. Encontrava em casa um ambiente liberal, onde podia escutar rock, ter pôster do Iron Maiden na parede do quarto, expor suas opiniões sem medo. Sua avó (mulher sensacional) dava lições fantásticas entre os mimos, a mãe se preocupava, e o pai mantinha o firme propósito de dar a sua filha o máximo de liberdade de pensamento e expressão possÃvel. Mas na rua era preciso vestir o véu, calar-se, submeter-se, bater em si mesma em respeito aos mártires da guerra que o Irã travou contra o Iraque. Narrou não apenas as bombas que caÃam em Teerã, mas também a forma com que o próprio governo matava seus cidadãos. O Irã assassinou mais iranianos do que os mÃsseis de Saddan.â€
O fanzine Elefante Bu chega a edição n°40 e traz direto de NY a cantora Jaymay. Além disso, conversou com Diego Medina, com o pessoal da Baxada Nacional Filmes.
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