No bistrô de paredes cereja pouso o guardanapo e afasto o prato, satisfeita. Espio as mesas ao redor, vazias quase todas. Já são horas.
A janela alta de tempos tão idos de repente bate, com violência. Minha dormência um átimo cede. Vejo o vento embravecido a perturbar palmeiras e toldos brancos.
Chove de soco como se chovendo estivera há anos.
Os poucos comensais olham também pra fora. Suspiros, sonolentos resmungos, olhares rápidos aos ponteiros, a prever banhados contratempos.
Piso no antigo piso de madeira, insistente. Pec pec pec, martelo a ponta do sapato. Agora é que são elas. E já são horas, mais que horas.
Ah, vou é prolongar o ócio, decretar feriado, mais um espresso por favor. E uma caneta.
Pra rabiscar desastrados traços, desenhos toscos e tolos devaneios.
Um raio lá fora cai, corta o tempo. E você aà escrevendo coisas pra entreter meus pensamentos, beijos Lê!
Humberto Firmo · BrasÃlia, DF 30/5/2009 18:19Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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