Liberdade, Liberdade - O Que Fazer Com Ela?

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Marquinhos Tagliati · Campo Mourão, PR
4/10/2009 · 2 · 0
 

Liberdade x Limite

Existe um pequeno texto que li na minha adolescência que ate hoje não sei de quem é, mas enfim, é a mais pura verdade:

“Liberdade, liberdade abre as asas sobre nós: Quando me disseram que a liberdade foi dada ao povo, junto me surgiram dois questionamentos: É liberdade mesmo? E se é. O que fazer com ela?

Para que esse meu pensamento, descrito aqui seja mais afunilado para uma maior compreensão coloco aqui que a liberdade que me refiro é a liberdade de expressão. Desde a Idade Média, vamos grandes revoltas e brigas, guerras, lutas pela democracia, pelo direito do Ser Humano expor seus pensamentos. Com a grande ascensão da Igreja na Idade Média interferindo na sociedade de todas as maneiras possíveis atacando, reprimindo tudo em nome de DEUS.
Dando um grande salto na linha do tempo chegamos às décadas de 60 e 70 aqui mesmo no nosso país, BRASIL, defrontamos com a Ditadura Militar.
Grupos sociais, políticos, sociais, jornalísticos, religioso, gritavam pelas ruas do país a palavra de ordem: LIBERDADE DE EXPRESSÃO JÁ.
Com o tempo, refaz-se a Constituição Brasileira – Todo Cidadão Tem o Direito de Liberdade de Expressão!
Voltando um pouco no tempo, lemos em livros de história, livros religiosos sobre pragas que permearam a terra levando multidões a morte. Se existe uma praga que surgiu junto a evolução da espécie humana e que ao contrario das pestes venéreas do mundo onde com o tempo acabaram, essa permanece em uma estúpida ascensão: A discriminação, preconceito.
Em minha humilde opinião e forma de pensar tendo a acreditar que a tal Liberdade de Expressão que por uns são interpretadas como: “Sou livre para dizer o que quiser, como quiser, pra quem quiser, onde quiser”, é o cerne do principio da praga do preconceito, discriminação, que as vezes parece ser uma doença genética intrínseca a todo ser humano.
Talvez possa estar se perguntando que me levou a questionar a liberdade de expressão. De antemão eu já te respondo, não sou nenhum defensor da ditadura, muito menos da supremacia religiosa com seus ataques discriminatórios em nome de “Deus” e de um lugar no “Paraíso”.
O que me levou a tal questionamento foi um livro que comprei esses dias, com o seguinte título, O Cristão e a Sexualidade, em meio inúmeros conceitos moralistas religiosos me deparei com o seguinte parágrafo a qual se referia sobre Homossexualidade, com a seguinte liberdade de expressão do autor Pr. Silas Malafaia:

“Se você conhece algum homossexual, diga-lhe que Deus tem perdão para ele em Cristo, se ele se arrepender de seus pecados e abandonar as práticas homossexuais. Porém, se ele não estiver interessado na salvação, não cultive uma amizade profunda com ele, pois, como recomendou o apóstolo Paulo, não devemos nos associar-nos com os DEVASSOS e com os que se PROSTITUEM (1 Coríntios 5.9), para não aprendermos seus maus caminhos e sermos influenciados pelos seus valores distorcidos.” (1º Parágrafo da página 33)
O CRISTÃO E A SEXUALIDADE / SILAS MALAFAIA
RIO DE JANEIRO: 2007
80 páginas
ISBN: 85-8981-118-2
1.Bíblia – Vida Cristã 1. Título II

Todos os dias recebemos informações, dados sobre mortes causadas por fome, assassinatos, agressões a jovens e mulheres. Mas o que poucos sabem é que em meio milhares de informações que a nós são “ocultadas” uma delas são os dados sobre:
Espancamento de homossexuais
Evasão escolar resultante de atos homofóbicos nas escolas e universidade
Assassinatos de homossexuais

Será que por simplesmente uma pessoa ter um relacionamento com uma pessoa do mesmo sexo ela digna de ser passiva de tantas ações como essas acima citadas.
Roberto Machado em seu comentário de capa do Livro: A História da Sexualidade – A vontade de saber, de Michael Foucault, afirma que “Desde os meados do século XVI – processo que se intensifica a partir do século XIX com o nascimento das ciência humanas – o sexo foi incitado a se confessar, a se manifestar. Proliferação de discursos que não se caracteriza por uma existência lateral, ilícita, por justamente o poder que nos convida a enunciar nossa sexualidade através de instituições como a Igreja, a escola, a família, o consultório médico e de saberes como demografia, biologia, medicina, psicologia, psiquiatria, moral, pedagogia. Além disso, essa produção discursiva não tem fundamentalmente o objetivo de reduzir, proibir a prática sexual. Ao contrario, através de uma serie de dispositivos característicos da sociedade em que vivemos a própria sexualidade que e produzida e não só a sexualidade “normal”, heterossexual, familiar, mas a figura do desviante sexual, seja ele masturbador, homossexual, pervertido. Assim a negação da hipótese repressiva não significa a afirmação de que o capitalismo teria inaugurado um período de libertação sexual, mas que uma vontade de saber sobre a sexualidade é peça essencial de uma estratégia de controle do indivíduo e da população, grande novidade da sociedade moderna...”
Essa vontade de saber não esta a todos, alguns ainda preferem não saber, pois juram ter a verdade que todos precisam saber. A verdade de como ser moralista e pregar tais hipocrisia. Mal sabem eles que:
Seus pensamentos transformam-se em palavras,
Suas palavras transformam-se em ação
Suas ações transformam-se em hábitos
Seus atos moldam o seu caráter
Seu caráter controla o seu destino.
E infelizmente o mais terrível é que não apenas o destinos desses moralistas são levados à um mal caminho. Os que sofrem esses ataques homofóbicos também são levados a Exclusão Social, espancamentos, assassinatos.

Dentro da Liberdade de Expressão que a mim também é concedida, findo meu pensamento com a seguinte indagação:

LIBERDATE TEM LIMITE?
SE HÁ LIMITE, QUAL É?
QUEM OS CONTROLA?
É essa a liberdade que tantos queriam? Liberdade de poder atacar com palavras e atos segundo os seus conceitos e morais?
Não sei se tenho razão nos que escrevo a única coisa gostaria de dizer antes de encerrar é que:
“Enquanto nos escondemos para fazer AMOR, a violência é praticada à luz do dia” (Jhon Lennon.)

Marcos Tagliati
Campo Mourão - Paraná

Contatos
E-mail: marcos.tagliati@gmail.com
MSN: meunomejatinha@hotmail.com
Telefone: (44) 9986-4474

Sobre a obra

O Presente texto, traz para questionamento a tão desejada e complexa LIBERDADE.
O Texto afunila o debate sobre a LIBERDADE, focando sobre a LIBERDADE de EXPRESSÃO.

O Segundo ponto abordado é a Discriminção e o Preconceito.

Esses dois pontos interligam-se dentro da proposta do Texto...

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Autoria
Marcos Tagliati
Ator e Bailarino
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