Às vezes momentos históricos passam diante dos nossos olhos sem que tenhamos a sensibilidade de percebê-los.Salvo as grandes catástrofes como os atentados de 11 de setembro, o Tsunami ou o inÃcio de guerras como a do Iraque e do Afeganistão dificilmente consegue perceber que estamos presenciando um momento que marcará ou esta marcando uma evolução na história da humanidade.
Igreja do SantÃssimo Sacramento da Rua do Passo, Pelourinho, Salvador Bahia, terça feira de um mês qualquer. Nas escadarias da igreja três séculos de historias e mudanças.A igreja foi fundada no século XVIII, porém a escadaria só foi inaugurada um século depois justamente para dar mais destaque ao templo que se situa em uma rua estreita.A igreja hoje esta desativada e sem previsão de reabertura.Sua escadaria estaria sem nenhuma utilidade prática.Estaria, se não fosse a coragem e o esforço de um dos maiores e mais talentosos compositores e artistas baianos que faz da escadaria da Igreja do Passo um palco a céu aberto onde o publico apreciador da boa música pode dançar e referenciar a obra desse grande artista.Quem é ele?Bem, ele é aquele que disse que nessa cidade, todo mundo é D’Oxum... Alguma dúvida? Claro que não: Gerônimo!
Toda a terça - feira essa fera da música baiana faz o povo delirar com seu ritmo dançante e de raiz.Musicas como Jubiabá, fazem com que o público sinta-se à vontade para cantar e dançar. É comum que surjam nesses ensaios artistas empunhando seus instrumentos e participando de forma simples e democrática dessa entusiasmada noite musical.
Mas com certeza um ponto que chama bastante atenção é a forma como o protagonista da festa conduz o evento.Gerônimo não conta com nenhum tipo de apoio para desenvolver esse projeto.Tudo é feito na cara e na coragem.Nenhuma faixa de patrocÃnio, nenhum letreiro, nenhum centavo.Apenas a boa vontade de um grande artista que segue a velha máxima imortalizada na voz de Milton Nascimento: â€Todo artista tem que ir aonde o povo estaâ€.E ele foi.Sem apoio, sem mÃdia, sem tristeza: apenas alegria e boa música!
A essa altura talvez você esteja se perguntando o que a apresentação de um artista local para um público que em sua maioria (acreditem!) também é local tem haver com o contexto histórico o qual me referi no inÃcio do texto.
Bem, Geronimo é um artista que sempre deixou clara a sua vertente religiosa: ele é “candombleseiro – ortodoxoâ€. Na platéia era comum avistar pessoas vestindo camisas com os dizeres: “Deus ama o povo do Candomblé!†Várias de suas músicas fazem referencias aos Orixás.Essas músicas eram cantadas em coro por milhares de pessoas de diversas religiões: sem sincretismo, sem preconceito, sem intolerância.Tudo isso aos pés de um templo católico em um bairro historicamente, (a partir de um determinado momento) habitado por negros.
Não tenho dúvidas.Com certeza o que acontece no pelourinho as terças são momentos singulares para a musica da Bahia.E já que a força que mora n’água não faz distinção de cor, tenho certeza de que a força que mora n’alma não faz distinção de som...
Viva a musica!Viva a história de Salvador!
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