NOVOS MODOS DE FAZER JORNALISMO

Aline Coelho e Nonato Penha
1
Line Coelho · São Luís, MA
14/2/2011 · 2 · 0
 

Amostra do texto

A comunicação sempre desempenhou um papel de extrema importância na vida do homem em sociedade. Falar sobre comunicação é falar sobre um aspecto que fez parte da evolução humana. Com o desenvolvimento das tecnologias de informação, as redes de comunicação passaram a servir não só como meios para transmitir informação e conteúdos simbólicos, mas também criaram no homem novas formas de ação e de interação social.
Surgiu a Internet, um veículo de comunicação que se tornou um meio essencial para se obter informação de forma instantânea e interativa. E dentro dela surgiram os blogues, uma espécie de diário virtual que, pela liberdade de expressão que oferecem aos proprietários, aos poucos foram se transformando em um espaço propício para divulgação de notícias. O blogue deu voz às pessoas comuns e a jornalistas para falarem sobre os mais variados assuntos, direito antes garantido aos meios de comunicação.
É proposta deste trabalho responder alguns questionamentos a respeito de como se dá a seleção, aquisição e produção de informações nestes espaços, se é possível haver produção jornalística nos blogues, local onde a liberdade de expressão é um princípio da rede.
Para ser objeto deste estudo, foram selecionados os blogues de dois jornalistas de São Luís, com editorias diferentes e rotinas diferentes e que possuem uma característica em comum, a necessidade de divulgar conteúdos que os mesmos produziam, ou queriam produzir, mas a falta de espaço e interesse da mídia tradicional não permitiam.
A pesquisa analisa como os blogueiros jornalistas de São Luís, Itevaldo Júnior e Zema Ribeiro, fazem jornalismo utilizando os seus espaços na web, no caso os blogues. Para obter tais informações, foram consultados autores que conceituaram o que é o jornalismo e suas práticas nas mídias tradicionais e nas novas. Os conceitos foram aplicados para a práxis jornalística no blogue, levando-se em consideração que esta ferramenta trata-se de uma mídia nova, ainda pouco estudada e em constante mudança.
Para melhor análise dos objetos, a pesquisa foi realizada nas seguintes etapas: A primeira, através da observação, foi feito o acompanhamento dos blogues como forma de assegurar uma melhor sustentação da análise dos dados.
O período de acompanhamento dos blogues foi diferente. O blogue do Itevaldo Júnior, por manter sempre uma constância, foi analisado de 1° a 30 de setembro de 2010. Em zemaribeiro.blogspot.com foram analisados os meses de agosto e setembro, pois a publicação de conteúdos acontece de forma irregular de segunda a sexta.
Durante este período foram coletados os seguintes dados: quantidade e frequência das postagens, quantidade de comentários, gêneros jornalísticos, editoria dos textos, uso do recurso de hipertexto e de hipermídia, quantidade de textos próprios, quantidade de textos de outras fontes, e o número de visitação do mês de setembro para o itevaldo.com e agosto e setembro para o zemaribeiro.blogspot.com. Após a coleta dos dados, foi elaborada uma tabela para cada blogue estudado que gerou um gráfico, ambos estão em apêndice deste trabalho.
O acompanhamento e a coleta desses dados foram fundamentais para compreender o que é o espaço blogue enquanto produtor de informação, uma mídia? Um formato? Uma área ou um gênero?
Na segunda etapa, foi realizada uma entrevista com cada blogueiro para conhecer a rotina dos mesmos ao realizar jornalismo nos blogues. O roteiro básico das entrevistas foi organizado de modo a abrigar os tópicos que se pretende responder com a pesquisa. Para a pesquisa e entrevistas, admitiu-se a assinatura jornalística dos blogueiros, Itevaldo Júnior e Zema Ribeiro. Na última etapa, à esteira dos estudos de Traquina (2005), Pena (2005), Martins e Paiva (2010), Beltrão (1980), Crhistofoletti e Laux (2008), orientou-se, a análise dos objetos para a comunicação desse novo espaço.
A análise dos objetos é feita a partir da interpretação dos dados coletados no acompanhamento, entrevista e revisão literária. Nesse processo responde-se às perguntas: como é feito jornalismo nos blogues itevaldo.com e zemaribeiro.blogspot.com? É possível fazer jornalismo em blogue?
Responder à última pergunta não foi fácil, visto que os blogues possuem apenas cerca de dez anos de existência, e no Maranhão, a sua popularização ainda é recente, se comparada ao perfil nacional. Foi preciso, primeiro, compreender o que é o jornalismo e sua prática.
Em um aspecto geral, os estudos relacionados à blogosfera ainda são poucos e acontecem com maior ênfase em países como Portugal e Espanha. Este trabalho fundamentou-se também em dois artigos de autores portugueses, Gaspar (2005) e Rodrigues (2005).
Já para classificar os gêneros jornalísticos dos textos dos blogues, admitiu-se a classificação feita por Marques de Mello ainda na década de 90, em que obteve-se acesso, através de uma entrevista feita com o jornalista por Lia Seixas, para sua tese de mestrado sobre os gêneros jornalísticos. A entrevista foi publicada na Revista Galáxia no ano de 2009 e no blogue acadêmico de Lia Seixas. Nessa classificação, Marques de Melo assumiu mais três classificações para os gêneros jornalísticos: interpretativo, diversional e utilitário, além dos usados em 1986, informativo e opinativo .
É importante ressaltar que a classificação dos conteúdos postados nos blogues em editorias não foi explorada pela pesquisa, pois os blogues estudados possuem temas definidos. A classificação dos textos em editorias é uma prática adotada pelas mídias tradicionais para organizar os conteúdos produzidos por temas, que são os mais variados possíveis. Além disso, a nominação das editorias costuma mudar de uma empresa de comunicação para outra.
A pesquisa apenas classifica os posts em gêneros e editorias para assim compreender se os textos, a partir desta classificação, são considerados produtos da atividade jornalística.
A intenção da análise, em momento algum, pretende ser comparativa, visto que os dois blogues estudados fazem jornalismo em blogue de maneiras diferentes e tratam temas diversos.
A divisão do trabalho é feita em seis capítulos, a contar a introdução, como o primeiro; o segundo capítulo Comunicar-se é preciso! Dos gestos aos bytes, faz um breve resgate do processo de aquisição da linguagem até a comunicação digital. Com o advento de novas tecnologias, mudam também as formas de ação, de interação no mundo social, criam-se novas relações e formas de relacionamento entre os indivíduos. Desenha-se o processo de surgimento da internet no Brasil e no mundo. Fala-se do ciberespaço, um mundo paralelo, alternativo onde se constituem as redes digitais e novas relações sociais, bem como são tratados ainda suas características.
Em Blogues, os novos produtores de informação, terceiro capítulo, é feito um resgate sobre o surgimento desse, como funcionam, os motivos que fizeram os jornalistas e não jornalistas a usarem a ferramenta como um difusor de informações e não só mais como um diário virtual.
No quarto capítulo, Por dentro dos blogues: Descrição do blogue do Zema Ribeiro e do blogue do Itevaldo é feito o perfil dos blogueiros e a descrição dos blogues à plataforma utilizada, disposição dos conteúdos na página. Neste capítulo é apresentado o resultado do acompanhamento dos blogues, onde são analisados periodicidade de postagem dos conteúdos, a origem dos conteúdos postados na página, características dos textos publicados, uso do recurso de hipertexto, do recurso de hipermídia e a interação dos leitores com a informação e com os blogueiros.
No quinto capítulo, Afinal, blogar é fazer jornalismo? Análise dos Blogues: zemaribeiro.blogspot.com e itevaldo.com, realiza-se a análise dos blogues a partir do que se detectou no acompanhamento e baseada na revisão de literatura. Compreende-se como os blogueiros fazem jornalismo em seus blogues, o critério de seleção do que será publicado em suas páginas. Depois de percorrido todo esse caminho, é respondida a inquietação científica e pessoal, que moveu esta pesquisa, é possível fazer jornalismo em blogue?
Como dito anteriormente, responder esta questão em meios tradicionais não é uma tarefa fácil, pois envolve muitos outros questionamentos. Aplicar o mesmo questionamento para uma mídia nova e em constante mudança como os blogues, trata-se de um desafio, assumido e que a pesquisa tentará responder.

Sobre a obra

A utilização dos blogues como fonte de informação tem provocado mudanças no processo de produção e difusão informativa, já que os mesmos passaram a veicular conteúdo jornalístico, um papel até então exercido apenas pelos meios de comunicação. Com a formação deste novo cenário, surgiram questionamentos se os conteúdos postados nos blogues e a prática blogueira se configuram como jornalismo. A pesquisa se firma no levantamento de bibliografias, nas quais o trabalho busca sustentação teórica, e no acompanhamento dos blogues, nomeadamente, Blog do Itevaldo e Zema Ribeiro, mantidos a partir do estado brasileiro do Maranhão, para identificar os elementos que, se caracterizam como sendo próprios da prática jornalística. Os resultados evidenciam que apesar dos pontos em comum entre blogar e o fazer jornalismo, a execução das duas atividades é distinta. Outra conclusão é a que blogues são espaços utilizados para propagar informação de forma alternativa às mídias tradicionais.

compartilhe



informações

Autoria
Aline Coelho Leitão
Ficha técnica
Orientação: Josenilma Dantas. Revisão do Texto: Eveline Coelho e Carlos Erick. Normalização: Zema Ribeiro e Waltton Clayton. Arte: Nonato Penha e Aline Coelho
Downloads
615 downloads

comentários feed

+ comentar

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

filtro por estado

busca por tag

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados