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O Ter e o Querer Ser.

Leticia Gonzaga
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Fernando Gonzaga · Teresina, PI
20/1/2012 · 0 · 0
 


Ter, ter, ter. Engraçado como sempre queremos algo a mais em nossas vidas. Outras nem tanto. Ter mais idade por exemplo. Seria tão bom se todos fossemos Peter pans e suas crianças perdidas para sempre, envolvidos numa aventura incansável em sua terra do nunca (mas sem Michael Jackson). Ter, e querer ser; são súbitas qualidades e pecados de todo ser humano. Digo por mim; Ter 23 anos, 24 em 18(de Dezembro), ter vontades, desejos, ambições, e ahh... uma criatividade que vai além dos campos inimagináveis, e uma enorme dislexia acompanhada de uma bela preguiça que me prostra frente a uma TV no domingo.
Sonhos. Tenho sonhos como todo mundo. Sonhos inconvenientemente abstratos, que teimo em torná-los reais. Tenho vontade de dormir, mas minha inseparável companheira insônia não permite tal perda de tempo. Vontade de pensar, e continuar pensando no mesmo assunto que me atraiu dias atrás. Tenho a vontade de passar em mais um vestibular, mas também receio de novamente largá-lo no meio do caminho. Receio de mais um no mundo chamar-me de inteligente, e simplesmente ter medo de não corresponder às expectativas.
Ter frustrações comuns a todos, e ser frustrado pela mesma expectativa, que mesmo me imponho. Daí inventei uma formula: ( silêncio + exclusão= solidão). Com isso veio uma enxurrada de perguntas e mais perguntas retóricas, explicitas no ato da conversa e no semblante do ser questionado. "porque anda tão calado?" (é culpa da formula). Mas o certo é a perca da vontade de tudo. Em falar, contar ou absorver algo. A dinâmica em que o meu pensamento se esvaía não funciona tão bem quanto antes. Talvez Alzheimer? Acho que não. Solidão. Decisão impessoal. Melancólica ou depressiva talvez. Mas decidir “ter” solidão não é fácil. Pois é algo a se pensar. É um treinamento duro, quiçá mais sofisticado que qualquer operação do BOPE, S. W. A. T ou exercito norte-americano atrás de qualquer Bin Laden. É preciso “ter” um preparo material, físico, ou psicológico. Porém deixo uma observação a ser detalhada: “ter” solidão, não condiz simplesmente em um sentido literal. Não quer dizer que esteja completamente só, afinal de contas: "ter" e "ser" são verbos claramente distintos. Munidos de suas responsabilidades quando aplicados.




“Ter” medo é normal. Dizem até que faz parte de um complexo mecanismo de defesa presente em qualquer animal. Sem ele, a taxa de acidentes seria no mínimo 200% maior. Seria um caos total. Andaríamos avulsos por ai, à espera de qualquer predador rural ou urbano a nos dar o bote. Também não teria final feliz nesses documentários produzidos pela BBC em que o fantástico teima em nos empurrar goela abaixo. Ora, nada como terminar seu fim de semana torcendo pra um daqueles lindos filhotes de Zebra, sãos e salvos das garras de um leão ou da boca de um daqueles enormes crocodilos.
Mas então, é fim de ano. Época de generosidade, harmonia, em que se deixam as brigas de lado, e tentam ser esquecidas. Época em que Papai Noel vira “Pop-Star” e pode até lançar um CD que no mínimo ganhará um disco de Platina. O vermelho toma conta das lojas, e o branco por sua vez, terá sua fatia após o dia 25. Sai o Peru de natal, e entra as promessas de fim de ano.
Mas e eu? O que “tenho” a ver com tudo isso?. Simplesmente o alivio em “ter” sobrevivido a mais um ano. Por isso, desde já antecedo essas datas e deixo minha promessa expressa em mais uma formula diretamente proporcional ( zero expectativas = zero frustrações). Para deixar ainda mais claro que isso: no dia 31 não estarei com camisa branca (paz), nem com roupas intimas vermelhas ou rosas ( paixão; amor), e muito menos com meias amarelas (dinheiro). Para facilitar ainda mais: Ficarei nu; isso! Nu!. Afinal de contas, não há meio melhor que esperar à hora da virada não acham? Sem peso nenhum, limpo, à vontade. E se me vierem novamente com perguntas retóricas, não responderei com formulas. Digo que virei naturista e pronto!. E que venha 2012!
Um feliz natal, e um próspero ano novo.

Fernando Gonzaga

Sobre a obra

Escrito em dezembro de 2011, retratando os sonhos e esperanças que todos colocam em mais uma chance de recomeçar a vida: A VIRADA DO ANO.

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Autoria
Fernando Gonzaga
Ficha técnica
Fotografia : Leticia Gonzaga
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