Embora eu não o veja
Já o ouço com o coração descompassado
O seu compassado movimento de ferro e fogo
Ainda não o vejo
E o barulho inevitável de sua máquina em fornalha
Me diz que ele está muito próximo
Quero vê-lo e não consigo
Só meus tÃmpanos me indicam seu lugar e hora
Conseguirei tomá-lo?
Ele passará sem me levar?
Já ouço as vozes dos passageiros a me chamar
Vozes quase obscurecidas por meus próprios gritos
Que clamam às cegas por sua direção
A mesma batida permanente
O mesmo ritmo desesperado
Não me dão nenhuma esperança
Ao fundo
Ouço ainda o som de uma tabla
Que
Resistindo ao ritmo do trem que avança por trilhos bem marcados
Dilui o som no seu próprio movimento
Um movimento sonoro na contra-mão do metal inflexÃvel com que o trem avança
Seus acordes e a voz de lamento dos que me espreitam
Pelas pequenas
E
Inescrutáveis janelinhas
Tornam a minha partida irrealizada
Em uma definitiva espera
Cega
Mas feita de um absurdo barulho
Feito dos solavancos de carne, carvão, ossos e metal
Donde muita fumaça
e alguma alma.
busque ler ouvindo Last train home, de Pat Metheny Group.
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