Recolhes o que cativaste

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Letícia Barroso · Campos dos Goytacazes, RJ
1/6/2015 · 0 · 0
 

“Se é tudo”, lembro até hoje dessas palavras que saíram da sua boca enquanto estávamos sentados no sofá da minha casa. Infelizmente lembro, lembro perfeitamente de como tudo aconteceu e do desenrolar dos três meses posteriores.

Eu, que muito durona, havia decidido não me envolver com ninguém, não gostar de ninguém e muito menos deixar-me levar por um maldito sotaque que me fez parecer mais idiota que uma pessoa apaixonada.

Passei por situações que nunca pensei passar, me identifiquei com todas as músicas românticas existentes e perdi parte dos meus conceitos feministas quando te ouvi cantar “Mulher” do Projota. Nunca gostei dessa música, nunca gostei do Projota, e você nem canta bem, mas naquele momento parecia que Caetano não chegava aos seus pés.

Pessoas me perguntavam como iríamos fazer após minha volta para o Brasil, e eu respondia: fazer com o que? Não temos nada e não queremos ter nada. Mas meu tom de voz frouxo e sem jeito me entregava. Realmente, eu não queria nada com você, bastava saber que você estava por perto, e jurava que quando voltasse para o Brasil todos os sentimentos desapareceriam como um passe de mágica. Me enganei e me enganei feio!

Você não está mais por perto, não quer estar e nunca mais estará. Agora não posso mais te mandar uma mensagem insistindo para você aparecer na minha casa, só pra talvez jogar conversa fora ou comer pão com queijo. Não posso mais sair na rua com a esperança de dar de cara com você, ou negar solenemente que não quero ir onde você estivesse.

Pois é. Sabe? Você nem merecia tanto assim. Você mesmo me disse isso. Disse que eu estava me importando demais e que você jamais esperaria isso. Eu também não. “O problema sou eu”, eu repliquei, não era minha intenção que você desse atenção para o que eu estava sentindo. Aliás, não era nossa intenção que tudo se desenrolasse o jeito que foi.

E como você fazia questão de frisar e também de contar que seria a frase que marcaria seu corpo na sua terceira tatuagem “Se é tudo”, e eu não consigo parar de pensar o quão certo você estava e o quão diferente todos esses acontecimentos, discussões, beijos e despedidas seriam diferentes SE tudo tivesse outro enredo, outra trama.

É, eu não queria ter deixado o país mal com você, não consegui e me sinto pesada até hoje por causa disso. Penso constantemente no SE e de como poderíamos ter terminado diferente. Não adianta mais, você volta mais tarde, vai pra uma direção oposta a minha, provavelmente voltará com aquela que me disse que nunca esqueceria.

Pensando bem, acho que esse “SE” nunca existiu pra nós, no fundo sempre sabíamos que esse encantamento seria momentâneo, afinal, humanas e exatas, o arrumadinho e a bagunceira, a sentimental e o lógico, não poderiam funcionar.

Talvez por um acaso a gente se encontre em alguns meses, não sei. Não penso em te ver de novo tampouco que o destino seria tão eficaz assim. Te peço para não se lembrar de mim de mau jeito, lembre-se com carinho, lembre-se com o amor que tínhamos meses atrás, lembre-se que mesmo sem toda sua lógica, pode acontecer, lembre-se de ser mais sentimental e se entregar de cabeça. Lembre-se que você deve estar aberto, lembre-se de viver algo novo e lembre-se de merecer esse algo novo.

Lembre-se das brincadeiras bobas, dos deboches, das cócegas (que não tinham graça). Mas, lembre-se também que você não é perfeito, nem os outros são. Lembre-se de ser mais delicado, existem pessoas que assim como eu, só querem o teu bem e te ver feliz.

Fica bem! Te cuida! O mundo é teu e lembre-se de recolher o rastro de corações que você deixar pelo caminho.

Sobre a obra

Fui pra longe e fiz o que não deveria fazer: me apaixonar.

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Autoria
Letícia Barroso
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Letícia Barroso
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