Um dia estressante, pedidos cancelados, clientes reclamando a falta de material - tratando-se de hospitais, um problema e tal. Eu fazendo o trabalho de outro departamento, no caso o financeiro.
Pensei...
Relembrando a minha manhã de hoje. Ônibus lotado, quer dizer esmagado dentro dele. Meu bilhete também estressado, falhando. Pior: a fila atrás de mim não estava andando e muito menos concordando. Logo, tive de pegar outro ônibus, também lotado.
Apertei a campainha e dei o sinal já pensando: aqui me desfaço.
Não mesmo! Pior: o ônibus não parou, passou o viaduto e tive de atravessar ele todinho, numa caminhada de desgastantes 222 metros num sol que, já pela manhã, tinha seus 26º graus.
Às 18h, é hora de ir embora. Venho para a faculdade. Mais fila de ônibus lotado e pessoas estressadas.
Logo também imagino...
A nossa forma de sobrevivência dentro de uma megacidade como a que vivemos é um cotidiano infernal.
Esta é São Paulo, querida metrópole, terra da garoa dos contrastes gritantes, de trabalhadores ligados ao eterno consumo desenfreado, provocado pela ânsia de ter mais e mais, independentemente de você já ter o necessário a sua perspectiva de sobrevivência.
Sexta à noite ela nem se lembra mais da fila, do trânsito, do amasso e do nervosismo que outrora passou durante o dia. A empregada doméstica que mora na periferia agora quer se divertir. Só pensa na noitada. Extremo leste é o lugar onde reside.
O seu caminho é o da luxúria, não mais se lembra, depois de sair de casa, dos contrastes vividos durante o dia. E assim a noite se envaidece. Jardins é o seu destino, agora filha de executivos para todos. Melhor roupa, pessoas da “elite” onde ela quer conviver e ter este espaço. Ninguém a segura e com tudo a noite também se esvazia.
Domingo, mais precisamente ás 9h23, o irmão sai para jogar futsal. Sua mochilinha com o tênis novo para estrear na quadra de esportes.
Única alegria que o faz esquecer da semana árdua dos congestionamentos, das filas intermináveis e dos gritos apalavrados de seu chefe. No caminho, encontra a irmã dois dias depois de ter saído de casa. Roupa amassada, olheiras e um sorriso largo. Um bom dia e nada mais.
Desfaz-se o repentino encontro...
Em casa a mesmice faz com que sonhos sejam apagados. A discórdia e a interrupção da poluição sonora casual faz com que nunca haja diálogo naquele recinto. Cada um num canto da casa. E assim o dia do descanso se vai, sem conversa, animação e muito menos o encanto do entendimento entre eles, onde inconscientemente destruídas pelo acaso da necessidade da sobrevivência na maior metrópole da América do Sul.
Um relato na periferia paulistana do dia-a-dia.
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