A exposição itinerante Manguinhos: Território em Transe vem percorrendo pontos da cidade para contar a partir de uma outra perspectiva um pouco da história de uma das maiores favelas do Rio de Janeiro
Renata Melo e Elis de Aquino
A história de Manguinhos tem ultrapassado os muros e vielas da favela. A exposição itinerante Manguinhos: Território em Transe vem desde maio de 2012 percorrendo escolas, universidades, bibliotecas, instituições e ruas contando a história da ocupação de Manguinhos sob a perspectiva das lutas políticas ocorridas no território durante os últimos 5 séculos.
Um desses lugares foi a Unisuam. Na semana de história da universidade, ocorrida de 22/10 a 25/10, as portas da instituição se abriram para receber a exposição que também participou da mesa temática “Educação não formal, história local e educação inclusiva”. No hall principal, a mostra atraiu os olhares de um público de mais de 300 pessoas, entre estudantes, visitantes e trabalhadores.
A ideia partiu da estudante de 23 anos, Renata Oliveira. Aluna do curso de história da Unisuam e integrante do projeto Território em Transe, ela acredita que a exposição teve uma boa repercussão e que, hoje, entende melhor a história de Manguinhos: “O projeto abre portas e conhecimentos. Eu não conhecia bem a história de Manguinhos e aprendi coisas que não vemos na televisão. Manguinhos não é lugar de favelados e a Leopoldo Bulhões não é a Faixa de Gaza.”
Localizada em Bonsucesso, a Unisuam é próxima a Manguinhos, geográfica e culturalmente.Por lá circulam muitos moradores do território, tanto os participantes de projetos oferecidos pela universidade quanto os universitários da região, muitos professores das escolas dos arredores. Por isso a coordenadora e professora do curso de história, Adriana Ronco, acredita que é importante aprofundar os estudos sobre a história local:
- Trouxemos a exposição não apenas para os alunos, mas para todas as pessoas que frequentam a universidade. Trabalhamos com a história da região e acreditamos que cada pessoa é parte dessa história. Com Manguinhos: Território em Transe as pessoas se sentiram representadas e isso é importante. Cada vez mais é preciso intensificar os estudos de história local e o intercâmbio de ideias. As portas estão sempre abertas para exposições e debates – afirmou a professora.
Aproximar a população de sua história local é justamente um dos objetivos do Território em Transe. “Parecia que ter uma história era privilégio de uma alta cultura, de um país, de um lugar distante e, para os moradores, imaginar que o lugar onde eles vivem tem uma história dá uma legitimidade ao território. Acreditamos que esse é um estímulo para uma relação mais direta entre a história e a vida, muito mais do que eles estão acostumados no estudo da história tradicional”, acredita o historiador e pesquisador do projeto, Daniel Pinha que procura incentivar uma reflexão não apenas sobre o passado, mas também e principalmente sobre o presente: “eu vejo a historia para fazer relações com o presente”, afirma.
Fruto da parceria entre a UADEMA (União Ativista Defensora do Meio Ambiente), a Coordenadoria de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz e os moradores do território, o projeto Território em Transe, além da exposição, criou um site para contar como se desenvolveram os movimentos sociais em Manguinhos e a história da ocupação desse território. Para conhecer mais, visite! (http://www.territorioemtranse.com.br).
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